Autoshow 2: O pinto pegou a chana de frente

11/10/2009

Este é o texto da minha segunda coluna no jornal paulistano Autoshow. Aguardo comentários

 

O pinto pegou a chana de frente

Não. Você não leu errado. Nem este texto é para uma revista pornográfica. Vamos traduzir melhor o título: O Ford Pinto pegou a van Chana Family de frente. Agora ficou mais claro que estamos falando da indústria automobilística? E entendeu porque dar nomes é uma coisa tão preocupante para os executivos dessa área?

Podemos dizer que milhões de dólares são gastos anualmente pelas montadoras para achar nomes sugestivos para seus novos modelos. E mesmo assim alguns casos acabam escapando e virando motivo de piada. Famoso é o caso do modelo Chevrolet Nova, que os mexicanos chamavam de Não Vai (em espanhol, no va), brincando com a potência do motor. Apesar de algumas escorregadas, na grande maioria das vezes o resultado é muito positivo. Lógico que mais importante é o nome ser facilmente lembrado e, de preferência, curto. Isso é meio caminho para o sucesso. Coincidentemente, os cinco carros mais vendidos em setembro tem nomes sonoros e simples: Gol, Palio, Uno, Corsa e Celta. O significado original dos nomes até se perdeu. Importa que hoje geram a imagem de carros de sucesso.

Talvez o momento mais importante da decisão de um nome seja escolher entre criar um novo ou permanecer com o antigo, já tradicional. Veja o caso do Gol. A nova geração poderia ter qualquer nome, até porque existe pouca coisa em comum entre a anterior e a atual. Só que o nome é vencedor. E jogar a galinha de ovos de ouro fora é sempre complicado.

Por outro lado, o consumidor tem comportamentos diferentes quando compra de quando vende. Se você pesquisar, no momento da compra, um carro com nome novo é mais valorizado, pois é sempre melhor comprar uma novidade do que uma nova geração. Dá mais status entre os vizinhos e amigos. Porém, no momento da venda, a tradição sempre é valorizada e rende alguns reais a mais. Valoriza mais o carro não ter “saído de linha”. E o fator dinheiro é sempre importante em se tratando de automóvel.

Hoje em dia, o verdadeiro problema é encontrar um nome novo. Quase todos os bons estão ocupados ou registrados, mesmo que não estejam sendo utilizados. E aí reside a dor de cabeça dos executivos. Para encontrar um novo nome, milhares de opções são pesquisadas, uma lista de finalistas vai a consulta popular e os valores ligados a palavra são discutidos à exaustão. Encontrar um tão sugestivo quanto Agile, novo carro da Chevrolet a ser lançado, é resultado de meses de trabalho pesado, mas pode significar a diferença entre o sucesso e fracasso.

Automóvel é um dos maiores símbolos de status e personalidade, no mundo inteiro. Encontrar o nome certo, que transmita esses valores por si só, é o desafio que constrói a história de sucesso de certas marcas. Vamos continuar vendo grandes nomes sendo criados. Mas que os pintos vão continuar pegando as chanas nas esquinas do mundo, isso você pode ter certeza!

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Fiat e VW. A briga continua

05/04/2009

VW versus Fiat

Março fechou mais emocionante ainda. Por 330 unidades, a Fiat foi líder de mercado no mês. O acumulado continua em 1000 unidades, o que significa um pouco mais de insiginificante meio por cento das vendas acumuladas. A briga continua, cada vez mais apertada. E a crise, para o mercado automotivo, parece ter sido muito mais uma oportunidade do que um problema, com março sendo o segundo melhor mês da história da indústria automobilística brasileira.

Interessante notar a reação do Palio, que cresceu mais de 50%, reflexo talvez do lançamento do modelo 2010. Com certeza, se a liderança voltou à empresa italiana, o motivo foi o renascimento de seu principal modelo.

Com a prorrogação do desconto do IPI, a briga deve se arrastar pelos próximos meses, ajudando, inclusive, na manutenção dos bons resultados de vendas. De uma coisa podemos ter certeza: os ânimos devem etar exaltados nas duas montadoras.


Mercado automotivo. Nova liderança?

09/03/2009

Perguntaram-me porque não comentei a liderança da Volks em fevereiro aqui no blog. Muito simples: não tem nenhuma novidade nisso e sim um trabalho de formiguinha por parte dos alemães. E uma puta de uma sorte de terem virado o ano de 2008 com um estoque maior do que os italianos. O que os ajudou no momento em que o mercado reagiu por conta da redução do IPI.

VW x Fiat

Não fique você acreditando que a briga terminou por aí. Os próximos passos serão mais interessantes. A Volks quer porque quer a liderança. A Fiat também. Daqui a pouco começaremos a ouvir de ambas as partes que o importante não é a liderança, mas o lucro. É a primeira etapa para disfarçar o real interesse. E preparar terreno para o caso de não chegar à liderança, ou perdê-la, dependendo de quem está fazendo o discurso.

Preste atenção nos próximos movimentos. Até o meio do ano, veremos uma briga enorme da Fiat, carro a carro, para não perder a liderança. Vai custar caro para eles. No meio do ano começa a verdadeira guerra do ano: a guerra das pick-ups.

Volks lança seu novo modelo, baseado no plataforma do novo Gol. Pode se chamar Arena, mas isso é pouco importante. O que chama a atenção é que a Volks irá lançar, com dez anos de atraso, uma pick-up pequena de cabine estendida, a la Strada.  Demoraram, mas acordaram. Durante dez anos a Fiat vendeu mais do que o dobro da segunda colocada. Agora, a Volks quer um pedaço desse filão. E a Fiat irá criar um novo segmento, a das pick-ups pequenas de cabine dupla. Para continuar um passo a frente.

Esse é somente o começo. Não será no segundo semestre, mas com certeza em 2010, que a Fiat trará um novo Palio, novo mesmo, para enfrentar o já consagrado novo Gol. Aí é que conheceremos a força de cada uma das marcas.


Porque os japoneses vão crescer no Brasil

23/02/2009

Corolla e Civic em NY

A imagem acima é do filme Zohan, o agente bom de corte. O filme, aqui, não importa muito. O que importa é pensar nas conotações dessa imagem. Essa é uma cena pouco importante no filme. O herói está andando num bairro de Nova York com um coadjuvante, conversando sobre o problema entre palestinos e israelenses. Na tomada vemos três carros: Um Toyota Corolla, um Honda Civic e um BMW velho.

Assusta pensar que, dos três carros, dois são fabricados tanto nos países de origem, quanto nos Estados Unidos e Brasil. Mais ainda pensar que os modelos fabricados no Brasil não estão em desalinho com os seus pares estrangeiros.

Até a chegada dos japoneses no Brasil, podemos dizer que a política das montadoras instaladas no país sempre foi de importar para cá modelos que estavam prestes a serem abandonados nos países de origem. Os japoneses chegaram e subverteram essa política.

Podemos perceber que a concorrência até tenta se modernizar. Mas sempre se deixam atrair pela velha técnica do facelift – a modernização pela metade de um modelo local enquanto que o mesmo carro fora do Brasil avança para a geração seguinte. É o caso do VW Golf e do Peugeot 207, que de igual aos modelos europeus só tem o nome. Esses e outros exemplos são carinhas novas em corpos velhos.

Enquanto isso, os japoneses tomam decisões de modernização considerando todas as praças onde tem fabricação, independente dos volumes locais.

Um ponto fica dessa diferença de postura: Se todas as demais montadoras dizem que os volumes locais não justificam a modernização das linhas, se os japoneses não estão perdendo dinheiro no Brasil com uma política tão diversa, como eles conseguem fechar os números que seus concorrentes não fecham?

Ou os japoneses são mais eficazes. Ou os demais concorrentes rasgam dinheiro em suas linhas de produção.


Cheiro de Sangue

20/02/2009

Como um tubarão, a Volkswagen percebeu cheiro de sangue no ar, sentiu uma certa fraqueza em sua principal concorrente, e partiu seriamente para disputar a liderança automotiva no Brasil. Em um mês, colocou duas novas campanhas que buscam demonstrar que a marca é a líder em preferência e qualidade no Brasil.

Sua nova campanha de varejo, utilizando-se o MTV Marcelo Adnet, tem como mote “Todo mundo adora”.

 

VW Todo mundo

 

É uma ode ao gosto das pessoas, apesar do comercial de lançamento ser bastante óbvio.

Mas foi na campanha de lançamento de seu novo slogan “Das Auto” que ela foi mais fundo na provocação e tentativa de convencimento dos prováveis compradores de automóvel brasileiros.

Os dois comerciais, “É nóis” e “Rigorosos”, citam que um VW tem design e não é somente “um monte de botõezinhos, luzinhas, no painel”.

 

Os botõezinhos me parecem uma clara referência à linha Locker da Fiat, em que o diferencial é acionado por um… botãozinho no painel.

Locker

Mas mais provocador ainda é o anúncio de revista dessa mesma campanha.

 VW Das Auto

Você se lembra do Gino Passione? Será que ele se bandeou para os lados da Volks?

Gino Passione

 

Numa leitura final desse movimento, minha sensação é que para entender a campanha precisa estar muito atento à indústria automotiva. É uma provocação da Volks, quase uma piada interna. Tem, apesar disso, qualidades suficientes para ser apreciada pelo consumidor comum.

O momento é mais do que o adequado. Em fevereiro, a Volks vem mantendo-se à frente da Fiat e diminuindo sua diferença no total geral. Mas não espere que a montadora mineira assita a tudo isso sem uma reação à altura.


Tudo normal no mercado automotivo

31/01/2009

Blog é um ser vivo. Um amigo meu, outro dia, comentou que só vê automóveis no meu blog. Que vira e mexe eu volto nesse assunto. Aí, eu resolvi me policiar e vieram outros amigos me perguntar por que parei de escrever sobre automóveis. Na verdade eu quero falar é de marketing e, nesse mundo do consumo, o comportamento das pessoas em relação aos seus possantes é minha paixão.

No meio de janeiro, eu postei sobre a liderança da Chevrolet no mercado brasileiro. Apesar da Fiat ter virado o ano líder absoluta, a GM havia começado o ano botando lenha na fogueira e conseguindo uma vantagem significativa sobre as demais. Mas bastaram mais 15 dias para tudo voltar ao normal. A Fiat reassumiu a liderança, com a Volks tentando alcançá-la. E a Chevrolet voltou ao seu posto tradicional, de terceira colocada. O que para ela é ótimo, considerando-se a confusão em que está metida nos Estados Unidos.

2009 vai ser um ano muito interessante de se ver, com relação a algumas guerras em particular. Não que essas guerras sejam diretas e pela preferência de um mesmo tipo de consumidor. É, muito mais, uma leitura de marketing do dia a dia das vendas.

VW x Fiat

A primeira, pela liderança, já que parece ser idéia fixa da Volks voltar ao primeiro lugar do mercado. O Voyage começa a se aproximar do Siena, o Línea não vem contribuindo como deveria e a montadora alemã irá lançar um antídoto contra a Strada Cabine Estendida. Lógico que a Fiat não ficará assistindo impassivelmente.

Renault x Honda

A segunda será entre a Honda e a Renault, que experimentou o gostinho de voltar ao quinto lugar durante o ano passado e que fará de tudo para retornar ao posto. Mesmo que a Honda esteja reforçada com dois modelos de sucesso, o Civic e o New Fit.

Citroen x Peugeot

E a terceira e mais intrigante, a briga interna na PSA, entre Peugeot e Citroën. Se a distância entre as duas já foi um abismo, agora já dá para atravessá-la com um passo. Ajudou a diminuí-la a baixa vendagem do do recente lançamento, o 207, pela Peugeot, e o relativo sucesso do C4 Pallas, pela Citroën. Se a briga entre as duas tivesse gerando ganho de mercado total para os franceses, seria muito benvinda. Mas eu tenho lá minhas dúvidas se as marcas não dividem o mesmo consumidor, que acaba simplesmente trocando uma pela outra.

Quem viver, verá!


Liderança da Volks vem em 2009

21/12/2007

Em 28/04/2006 previ que a Volks iria brigar pela liderança com a Fiat ainda no final do ano. Aí veio a greve dos metalúrgicos do ABC e eu refiz a previsão. Não seria em 2006.

2007 foi o ano da Fiat. E a Volks crescendo. Eles estão, claramente, trabalhando para voltar ao topo. Lógico que a Fiat não vai entregar facilmente a rapadura. Mas eles já consolidaram a segunda posição, abrindo uma boa diferença para a Chevrolet, que está contente com o terceiro lugar. Neste momento o que a GM quer é ganhar dinheiro.

Aproveitando o final do ano volto a prever. 2009 a Volks irá brigar pela liderança. Ela ainda precisa consolidar seus produtos e trabalhar lentamente para diminuir a distância que a separa da Fiat. Não vai ser em 2008. Mas 2009 promete briga das boas!