Cinema no celular: agora vai!

07/10/2009

Apesar de estar mal filmado, apesar de estar em inglês, vale a pena ver. George Lucas, criador da série Star Wars, apresentou-se no World Business Forum, em Nova York, e surpreendeu a audiência ao falar que irá produzir filmes para celular. Significa dizer que se um dos mais aclamados diretores de Hollywood vê o celular como opção num futuro próximo, a idéia já se espalhou por toda a indústria cinematográfica. Ela continua à busca de soluções que não façam com que sofra os mesmos males que a indústria fonográfica passou com a invenção do MP3.

Importante para cada um de nós, marqueteiros. Significa que muito brevemente a programação de tv e a publicidade seguirão pela mesma trilha. E que uma nova forma de linguagem irá aparecer, uma que considera as limitações da tela pequena.

Comentário final, que pode passar desapercebido: o Forum foi realizado pela brasileiríssima HSM. São as novas multinacionais brasileiras, conquistando espaço no mundo corporativo.


A maior tela de HDTV do mundo

10/08/2009

Eu não sei você. Mas todas as vezes que vou a um show de música ou a um evento que tenha telão, acabo me pegando vendo a atração na tela e não olhando para o palco. Talvez seja a intimidade com a televisão. Talvez o tamanho da imagem na tela versus o tão pequeno o objeto real pareça, principalmente quando me sento mais ao fundo do local do espetáculo.

TV gigante no Estádio

Pois bem, o principal problema que eu via era a qualidade dos telões, que variavam de ruins a péssimos. Agora vem a notícia da inauguração do novo estádio dos Dallas Cowboys, um dos principais times de futebol americano. Na nova arena foi instalada a maior tela de plasma do mundo. São 49 metros de largura por 22 de altura. Algo como uma tela de 2.106 polegadas. Isso mesmo. São necessárias 4.920 televisões de 52 polegadas para compor uma imagem do mesmo tamanho. E você aí, feliz, porque comprou uma TV de LCD de 42 polegadas!

O maior problema que vejo é que vai ficar mais gostoso ver o jogo na tela, pois todos os detalhes estarão ali, bem na frente. E o torcedor vai pegar o carro, dirigir até o estádio, enfrentar as filas para entrar, sentar na cadeira e assistir na maior televisão a mesma transmissão que poderia ver em casa. Daí para eliminar o campo e criar jogos virtuais é só um passo.

Apesar disso, só posso dizer que estou louco para ver uma telas dessas ao vivo.


Depois de Michael Jackson a comunicação não será a mesma

29/06/2009

Podemos afirmar que o superstar Michael Jackson será conhecido no futuro por dois feitos completamente diferentes: primeiro, o recorde de vendas de discos conseguido com Thriller. Seus mais de 100 milhões de cópias vendidas, de acordo com sua gravadora, nunca mais será batido. Principalmente porque a venda de músicas está migrando de álbuns para faixas, devido ao MP3 e à internet.

Thriller

Segundo, porque sua morte será o marco da passagem do mundo offline para o online, do real para o virtual, quando nos referimos a como o mundo se informa e comunica. Em 1994, a morte de Ayrton Senna gerou uma comoção parecida à de Michael Jackson, mesmo que restrita ao Brasil. Todas as TV’s e rádios transmitiram a notícia por horas e horas. Mas nada se compara ao que houve agora com a morte do rei do pop. As pessoas não correram para ligar seus rádios, nem mudaram os canais de suas tv’s. O computador e o celular tomaram o lugar desses meios, provando que passamos a ser uma geração digital e proativa.

O Twitter foi a principal ferramenta de divulgação da novidade. Após o anúncio da morte, pelo site de fofocas TMZ.com, o número de tweets por segundo dobrou. O site saiu do ar, bem como o Google, por não terem dado conta do tráfego extra. O Youtube e a Last.fm foram os meios preferidos para se rever os clipes do artista. E todos os portais dedicaram páginas e páginas (ou vídeos e vídeos) à cobertura da sua carreira.

Lógico que as TV’s e rádios reagiram e fizeram suas homenagens. Bem como os jornais e revistas. Um pouco atrasados, e sempre de uma forma não participativa. Enquanto que a internet ficou coalhada de mensagens de milhares de fãs, os meios tradicionais ainda precisam aguardar os índices de audiência para saberem o quanto suas coberturas atingiram ou não o gosto dos ávidos por informação.

Um marco como este, a morte de um gênio, reforça a principal diferença entre o mundo que está se extingindo e o que está surgindo: o imediatismo. A internet está nos livrando das amarras dos horários fixos com que as televisões nos controlam. Não estou falando que as TV’s não tenham capacidade de entrar com notíciários de última hora para divulgar notícias extraordinárias. Mas só a internet nos permite abraçar a saudade do astro e vermos o que e quanto quisermos de sua carreira, sem que isso seja ditado por um diretor de produção. Ou nos aprofundarmos em assuntos que nos interessem, sem que tenhamos que esperar o horário do começo do noticiário.

Esse é o legado mais importante que a morte de Michael Jackson irá nos deixar. Como cantava Raul Seixas, benvindo ao século XXI!


Samsung: Para eles o marketing viral não tem segredos

26/05/2009

Desta vez vou pegar carona na dica que a Diana mandou para mim. Ela concorda comigo que a Samsung vem dando mostras de ser a próxima onda cool na indústria tecnológica, tal como a japonesa Sony já foi um dia. Não me entendam mal. Sony ainda é um exemplo de uma marca desejada. Mas o alvoroço que ela fazia num passado não muito distante, com seus walkmans e computadores Vaio, começa a ficar par trás. E parece que o espaço começa a ser brilhantemente ocupado por essa marca coreana.

Este é mais um exemplo de marketing viral da marca. Só que para anunciar suas TV’s de tecnologia LED (Light-Emitting Diodes):


Honda e o admirável mundo novo

22/04/2009

Enquanto a General Motors luta para se salvar, a Honda vem cada vez mais ampliando suas fronteiras e deixando de ser uma produtora de veículos para se classificar como uma produtora de soluções de locomoção. Como já dizia Theodore Levitt, no seu livro Imaginação de Marketing, um dos principais aspectos para se diferenciar e prosperar é ampliar seu foco de atuação. E locomoção é maior do que o mercado automotivo.

Depois de ter entrado na aviação, agora é a vez de começar a revolucionar o mercado direcionado aos paraplégicos, com o lançamento de dois equipamentos que, se no momento só facilitam a vida de não portadores de deficiência, não demora muito vão permitir que os deficientes voltem a se locomover livremente.

Bodyweight Support Assist

O primeiro chama-se Bodyweight Support Assist, algo como Assistente para suporte do peso do corpo. Seu principal papel é melhorar a sensação física daqueles que precisam ficar horas em pé. Não por acaso, está sendo testado nas fábricas da Honda, no Japão.

 

Stride Management Assist

O segundo, Stride Management Assist, ou Gerenciamento do caminhar assistido, busca facilitar o movimento dos passos e é dirigido principalmente para pessoas idosas e seus claudicantes caminhares.

As duas invenções são resultados de mais de 20 anos de pesquisa. Quando, em 1986, a Honda apresentou o primeiro protótipo de seus robôs, o E0, o projeto era pesado, caro e desengonçado.

Vinte e três anos depois, a experiência que desenvolveu o Asimo começa a dar frutos para a empresa japonesa. Lógico que o robô ainda não tem sentimentos, como o comercial americano abaixo nos faz pensar. Mas as soluções desenvolvidas para que ele funcione começam a se aplicadas na melhoria da vida diária.

Não tenho dúvidas de que o próximo passo será reunir as soluções encontradas pela Honda com aquelas apresentadas pela Hitachi no já distante ano de 2007. Para quem não se lembra, a empresa japonesa de tecnologia demonstrou como os impulsos elétricos poderiam ser utilizados para que portadores de deficiência física pudessem comandar controles remotos de TV’s. Juntando um mais um temos três.

Realmente, a vida vem se tornando cada vez mais fácil.


Playboy e BBB. Sexo e reality show, 24h por dia

27/03/2009

Duas coisas me chamaram a atenção esta semana em relação à internet.  Primeiro, a Playboy americana anunciou o lançamento do seu novo site, a playboyarchive.com, com todo o conteúdo de suas revistas nos últimos 53 anos. Segundo, descobri alguns sites que transmitem o BBB 24 horas por dia, gratuitamente, o diariobbb e o Justintv. Existem outros, mas com o diariobbb você consegue ver todas as câmeras instaladas e escolher quem você irá acompanhar, como no globo.com, sem pagar a assinatura.

Playboy libera seu conteúdo na internet

O que me impressionou em duas coisas tão corriqueiras? O velho tema de sempre: como a internet vem mudando a forma de controlar os direitos autorais. Ou pior, rompendo com esse conceito.

A Playboy já perdeu a luta. Não precisa ser conhecedor da internet para, com dois clicks, conseguir ver qualquer das modelos que aparecem em seus exemplares. Dezenas de sites tem as páginas escaneadas e expostas. Nenhum deles está pagando mais do que o preço de capa da revista na banca. A Playboy disponibilizar seu conteúdo somente permite à editora entrar de novo na luta. Com mais munição, mas bastante atrasada.

No caso do BBB, de nada adianta o enorme zelo da toda poderosa Globo em tentar controlar o incontrolável. A internet, mais do que democrática, é anárquica. O problema é que essa liberdade excessiva não gera ganho. Ao contrário. Os sites que estão transmitindo o BBB também só pagam o custo da assinatura da globo.com. Transmitem gratuitamente pelo prazer de gerarem tráfego. Que é dinheiro não faturado pela Vênus Platinada.

Esses dois exemplos se somam aos anteriores já comentados aqui no blog: Internet: Adeus ao copyright, Copyright II. E só reforça que o caminho da comunicação passa pela discussão profunda de como assegurar o direito autoral e ganhar dinheiro com um novo meio de comunicação em que o controle é impossível. Esse é o nosso próximo desafio.


Assistindo TV em lentes de contato

25/03/2009

Finalmente a Tv irá se tornar pessoal e móvel. Futurologistas preveem para daqui a 10 anos a venda de lentes de contato com tvs incorporadas. A miniaturização de componentes, como o que a gente vê no dia a dia acontecendo com os iPods, mais tecnologias como a TV Digital, apontam para esse caminho. Nem energia será um problema, pois a previsão é que elas funcionem a partir da gerada pelo corpo humano. Teríamos, então uma imagem formada sobre o que estamos vendo, ao estilo da visão do Robocop, ou a visão de programas, como hoje assistimos em telas de plasma ou LCD.

Visão do Robocop

Mas o que a tv pessoal poderá afetar nossa forma de consumir programas? E como isso modificará a nossa forma de utilizá-la como meio publicitário?

 TV na lente de contato

A televisão, da mesma forma que o telefone, surgiu como um aparelho comunitário. Mais do que atender a família, servia também aos amigos e vizinhos nos seus primórdios. Lógico que, com o barateamento dos custos de fabricação, cada lar passou a ter sua própria TV e seu próprio número de telefone.

tv-em-familia

Num certo momento, o telefone conseguiu dar seu salto quântico, transformando-se de fixo e familiar, num aparelho individual e móvel. Explodiu, então, o mercado dos celulares, que atendia uma necessidade latente mal resolvida: a de manter as pessoas sempre contatadas umas com as outras.

Celular com TV

A TV ainda não conseguiu esse intento. Estão saindo, agora, as primeiras tvs verdadeiramente portáteis, aquelas instaladas em celulares. Elas, mais a TV Digital, estão finalmente dando mobilidade aos antigos e pesados aparelhos de TV.

Mas o que acontecerá com ela quando tivermos essas maravilhosas tvs instaladas em lentes de contato?

Posso imaginar diversas mudanças, se considerarmos o on demand, o GPS, a internet, incorporados num mesmo equipamento.

Primeiro, podemos ir a campo de futebol e assistir a replays de gols e jogadas controversas sem perder a concentração no que acontece em campo. Segundo, um canal de previsão de tempo pode usar a nossa posição, indicado por GPS, e nos dar as previsões, ao olharmos para o céu. Terceiro, qualquer viagem que façamos pode ser ilustrada por canais de turismo e de história, ao olharmos um prédio, uma vista, ou algum objeto exposto em museus. Quarto, o caminho apontado pelo GPS pode ser visto enquanto você olha para as ruas, aumentando sua segurança.

 TV em lente de contato

Esses são exemplos. Podemos enumerar mais um milhão de outros. Em todos, a publicidade pode ser inserida e direcionada a cada um especificamente. Olhou para um shopping? Podemos incluir ali a publicidade de um restaurante, na hora do almoço, ou de uma livraria, no resto do dia. Assistiu ao replay no campo de futebol? A marca do patrocinador poderá estar sempre presente na imagem.

São somente 10 anos. Pouco tempo, quando se fala de adequar uma instituição centenária como a publicidade. Que já está tendo problemas em entender como utilizar e ganhar dinheiro com a internet atual. Se quisermos estar na cabeça da onda, precisamos começar a entender esse fenômeno desde já.

O único ponto que não consigo ver solução é como evitar que os alunos passem toda a aula de química sem aproveitar para assistir o último capítulo de Lost. Com certeza, os professores terão que pedir a todos desliguem suas lentes.