Convergência analógico e digital. O novo livro já chegou

16/04/2009

As verdadeiras revoluções na forma como nos relacionamos com o mundo ocorrem silenciosamente. Você precisa fazer um esforço para lembrar como o mundo era antes do computador, do celular, da internet. Essas tecnologias começam lentamente e, quando você percebe, é impossível não estar completamente envolvido com elas. 

Confesso que venho acompanhando atentamente a evolução do livro digital, o e-book, e o lançamento dos diversos equipamentos de leitura eletrônica, como o Kindle, da Amazon, ou o Sony Reader, da Sony. Já brinquei com um e fiquei maravilhado. Como bom mineiro, não comprei, esperando o momento em que existirão títulos suficientes em português para justificar o investimento. Esse, inclusive, é o principal motivo pelo qual os e-readers em geral ainda não decolaram: falta a criação do iPhone dos livros eletrônicos, aquele equipamento que revolucione para sempre o jeito de se ler livros no mundo.

Porém me chamou a atenção a evolução do livro de papel num mundo digital e como certos editores e livreiros vem fazendo uma transição entre os dois mundos de uma forma muito suave e silenciosa. Se formos pensar bem, o problema dos livros é similar ao que os jornais vem enfrentando. As notícias nos diários chegam às bancas já velhas, pois não dá para competir com a atualização imediata do meio digital. Podemos dizer o mesmo de livros técnicos, onde certos assuntos são rapidamente deixados para trás.

Livro A Lógica do Mercado de Ações

Qualquer livro que tenha sido publicado sobre mercado de ações em agosto do ano passado já está completamente defasado. Quem seria doido o suficiente para investir de acordo com suas dicas, considerando-se a crise ocorrida em outubro de 2008?

Para sanar esse problema, algumas editoras começam a atualizar os assuntos abordados em páginas especiais na internet. E o que andei vendo esses dias me provou que existe sempre espaço para inovação. As editoras de livros de línguas estão fundindo os dois formatos em um só. Quase não existe uma separação entre o livro físico e o eletrônico. Você é enviado de um meio para o outro constantemente. Lógico que para esse tipo de publicação era uma evolução esperada e que resolve alguns problemas logísticos. Se no passado a substituição de fitas cassete por CD’s e DVD’s já havia facilitado a distribuição, a internet contribuiu mais ainda para facilitar a venda desse tipo de leitura.  E abriu um novo canal para a comercialização dos produtos. Para se ter um sabor das possibilidades que esses livreiros estão gerando, visite o BusinessEnglishPod.

Agora, se você acredita que isso só se aplica a livros técnicos, não fique assim tão certo. Imagine o que poderia fazer a Rede Globo se decidisse utilizar toda sua estrutura a favor de maiores e melhores vendas. Você poderia comprar o livro A Casa das Sete Mulheres e ter acesso a um espaço exclusivo na globo.com para ver trechos especiais da mini-série produzida para a televisão. Isso para ficar no mais básico, pois as possibilidades são imensas. 

Volto ao tema, brevemente, com mais exemplos. Talvez quando o livro eletrônico chegar de verdade já não conheçamos mais a separação entre o físico e o digital.


BBB: E a vencedora é…o Max?!?

08/04/2009
Acabou ontem o Big Brother Brasil 9, na Rede Globo, com um resultado surpreendente, se formos considerar as enquetes realizadas pelos três principais portais do Brasil. Depois de ter acompanhado os diversos paredões e ter postado por quatro vezes comentando sobre pesquisas na internet, fiquei meio impressionado com o que vi ontem. Todos eles davam como certo a vitória de Priscila. Quem havia flertado com a possibilidade da vitória do Max foi o Terra, que ao meio dia de ontem apontava 35% de preferências para o artista plástico carioca. Mas mesmo eles haviam capitulado e, à noite, indicavam a vitória apertada da morena sulmatogrossense. Uol e IG indicavam uma liderança confortável de Priscila, com 48 e 44% respectivamente. Vale ressaltar que a Folha on Line, numa enquete de rua indicava o Max como o vencedor.


Se voltarmos ao ponto que pesquisas por internet podem gerar algum tipo de distorção, o resultado final é uma comprovação dessa tese. A opção a isso é acreditar que a vitória não corresponde à votação real. Parte dos comentários em sites e blogs, hoje, insinuam que o resultado foi forjado. Sabendo como seria fácil para a Rede Globo manipular a vontade do telespectador, através das montagens e chamadas do canal, caso quisesse direcionar o público, fica claro para mim que o telespectador das classes C e D, que votou por telefone ou por SMS, escolheu o candidato mais conservador, evitando o voto na “gostosa”, como a chamou o Bial. Seria uma comprovação de que o preconceito gerado por Priscila teria sido deixado de lado por quem tem acesso a computadores, talvez por ser de uma classe um pouco mais cosmopolita, moderna, e ter acesso a tv a cabo e as informações virtuais. Mas não pela população mais pobre, que só contava com a edição da tv para tomar sua decisão.

Vale esse ponto para enteder como funciona a internet no Brasil hoje. Pesquisas sobre automóveis pode dar um resultado aceitável. Pesquisa com itns como creme dental, sabonetes, cerveja ou outros de baixo valor, podem gerar uma distorção que influencie negativamente nas decisões. Lógico que haverá um momento em que isso deverá ser ultrapassado.

Comentário 1 – Impressionante a rapidez com a qual o portal Terra retirou todas as notícias sobre a possível vitória da Priscila. Dos três portais, foi o único que reescreveu sua história.

Comentário 2 – O assunto BBB gera uma curiosidade e uma leitura incrível. Meu pequeno blog, hoje, teve um alto acesso. Somente de pessoas que buscavam notícia sobre o programa. Como não é um blog de fofocas, dificilmente agradou os novos leitores.

Comentário 3 – Leia aqui os posts anteriores: BBB:E o Terra Errou, BBB: E o Terra…acertou!,
BBB é uma aula de Marketing, BBB: 58 é o número da sorte do Max.


Playboy e BBB. Sexo e reality show, 24h por dia

27/03/2009

Duas coisas me chamaram a atenção esta semana em relação à internet.  Primeiro, a Playboy americana anunciou o lançamento do seu novo site, a playboyarchive.com, com todo o conteúdo de suas revistas nos últimos 53 anos. Segundo, descobri alguns sites que transmitem o BBB 24 horas por dia, gratuitamente, o diariobbb e o Justintv. Existem outros, mas com o diariobbb você consegue ver todas as câmeras instaladas e escolher quem você irá acompanhar, como no globo.com, sem pagar a assinatura.

Playboy libera seu conteúdo na internet

O que me impressionou em duas coisas tão corriqueiras? O velho tema de sempre: como a internet vem mudando a forma de controlar os direitos autorais. Ou pior, rompendo com esse conceito.

A Playboy já perdeu a luta. Não precisa ser conhecedor da internet para, com dois clicks, conseguir ver qualquer das modelos que aparecem em seus exemplares. Dezenas de sites tem as páginas escaneadas e expostas. Nenhum deles está pagando mais do que o preço de capa da revista na banca. A Playboy disponibilizar seu conteúdo somente permite à editora entrar de novo na luta. Com mais munição, mas bastante atrasada.

No caso do BBB, de nada adianta o enorme zelo da toda poderosa Globo em tentar controlar o incontrolável. A internet, mais do que democrática, é anárquica. O problema é que essa liberdade excessiva não gera ganho. Ao contrário. Os sites que estão transmitindo o BBB também só pagam o custo da assinatura da globo.com. Transmitem gratuitamente pelo prazer de gerarem tráfego. Que é dinheiro não faturado pela Vênus Platinada.

Esses dois exemplos se somam aos anteriores já comentados aqui no blog: Internet: Adeus ao copyright, Copyright II. E só reforça que o caminho da comunicação passa pela discussão profunda de como assegurar o direito autoral e ganhar dinheiro com um novo meio de comunicação em que o controle é impossível. Esse é o nosso próximo desafio.


Caminhão de cerveja. Sonho de consumo

19/02/2009

Não pode ser outra a razão pela qual dois comerciais da Inbev (ex-Ambev) tem uma cena tão igual entre si. Nos últimos comerciais da Antarctica e Brahma aparecem caminhões de cerveja como protagonistas. É engraçado ver que até o ângulo é o mesmo.

Caminhão Brahma

Comercial Zeca e Sorriso

Caminhão A

Comercial Carnaval

A pergunta que não quer se calar é: Rede Globo cobrou duplicidade?


É por isso que a Globo é a número um

14/01/2009

Ontem estreiou o Big Brother Brasil 9. Depois de oito edições, parece-me que a Rede Globo chegou a conclusão que estava na hora de mudar a fórmula do programa. Dezoito e não quatorze participantes (que já foram doze!). De uma casa, viraram três. Uma de vidro, num shopping, e outras duas no Projac, através da criação de um muro dentro da casa original. Além disso, estréia sem nenhuma prova, somente apresentação.

Tudo isso é um risco, ainda mais no primeiro dia, no qual você tem o termômetro de como andará a audiência durante os três meses da atração. Como ampliar o público? De uma forma fantástica, ensanduichando o programa entre dois líderes de audiência. De um lado, A Favorita entrega uma alta audiência, por estar nos seus capítulos finais. Do outro, a qualidade da minissérie Maysa segura as pessoas em frente à tv durante o BBB.

Não é coincidência os dois programas estarem no ar e em momentos cruciais exatamente no dia da estréia do novo programa. É competência. É assim que se faz um líder.