Desculpa, ô porpeta!

05/10/2010

Já fazem sete meses que não posto nada no meu blog. Culpa de meu novo emprego, onde estou trabalhando de montão. Queria uma razão para voltar e no final de semana passado encontrei. Tentei bloggar, mas deu algum problema e acabei deixando para esta semana. O efeito foi melhor ainda!

Estreamos o novo comercial do Nissan Livina 2011. Sem muita pretensão, a idéia era criar um comercial divertido que falasse das nossas cinco indicações pela imprensa especializada. Surpresa foi ver o boom que aconteceu. 61 mil views no Youtube em dois dias, vídeo de automóvel mais visto no mundo, na Índia e no Brasil. Milhares de Tweetes a respeito dele, todo tipo de resposta. Melhor de tudo é ver os comentários, na maior parte positiva (90%) e dizendo que propaganda comparativa é ótima. Hoje, dia 03 de outubro, já acumulou mais de 140 mil views entre o da página oficial e o das cópias que já apareceram.

Não gosto e nem quero transformar este blog num portfólio do meu trabalho. Mas duas semanas com o vídeo de automóveis mais acessado no Youtube me obrigam a comentar o fato aqui. Agora foi a vez do novo comercial, feito exclusivamente para a internet. Um pedido de desculpas à concorrência que já teve em menos de 48 horas mais de 40 mil acessos.E, novamente, 90% de citações positivas, tanto no Youtube quanto no Twitter.

Realmente, a sensação que tenho é que as pessoas esperam por mais criatividade num mundo cada vez mais cinza…

Se você não viu, clique abaixo. Se viu, veja de novo. Mas me mande sua opinião.


Autoshow 2: O pinto pegou a chana de frente

11/10/2009

Este é o texto da minha segunda coluna no jornal paulistano Autoshow. Aguardo comentários

 

O pinto pegou a chana de frente

Não. Você não leu errado. Nem este texto é para uma revista pornográfica. Vamos traduzir melhor o título: O Ford Pinto pegou a van Chana Family de frente. Agora ficou mais claro que estamos falando da indústria automobilística? E entendeu porque dar nomes é uma coisa tão preocupante para os executivos dessa área?

Podemos dizer que milhões de dólares são gastos anualmente pelas montadoras para achar nomes sugestivos para seus novos modelos. E mesmo assim alguns casos acabam escapando e virando motivo de piada. Famoso é o caso do modelo Chevrolet Nova, que os mexicanos chamavam de Não Vai (em espanhol, no va), brincando com a potência do motor. Apesar de algumas escorregadas, na grande maioria das vezes o resultado é muito positivo. Lógico que mais importante é o nome ser facilmente lembrado e, de preferência, curto. Isso é meio caminho para o sucesso. Coincidentemente, os cinco carros mais vendidos em setembro tem nomes sonoros e simples: Gol, Palio, Uno, Corsa e Celta. O significado original dos nomes até se perdeu. Importa que hoje geram a imagem de carros de sucesso.

Talvez o momento mais importante da decisão de um nome seja escolher entre criar um novo ou permanecer com o antigo, já tradicional. Veja o caso do Gol. A nova geração poderia ter qualquer nome, até porque existe pouca coisa em comum entre a anterior e a atual. Só que o nome é vencedor. E jogar a galinha de ovos de ouro fora é sempre complicado.

Por outro lado, o consumidor tem comportamentos diferentes quando compra de quando vende. Se você pesquisar, no momento da compra, um carro com nome novo é mais valorizado, pois é sempre melhor comprar uma novidade do que uma nova geração. Dá mais status entre os vizinhos e amigos. Porém, no momento da venda, a tradição sempre é valorizada e rende alguns reais a mais. Valoriza mais o carro não ter “saído de linha”. E o fator dinheiro é sempre importante em se tratando de automóvel.

Hoje em dia, o verdadeiro problema é encontrar um nome novo. Quase todos os bons estão ocupados ou registrados, mesmo que não estejam sendo utilizados. E aí reside a dor de cabeça dos executivos. Para encontrar um novo nome, milhares de opções são pesquisadas, uma lista de finalistas vai a consulta popular e os valores ligados a palavra são discutidos à exaustão. Encontrar um tão sugestivo quanto Agile, novo carro da Chevrolet a ser lançado, é resultado de meses de trabalho pesado, mas pode significar a diferença entre o sucesso e fracasso.

Automóvel é um dos maiores símbolos de status e personalidade, no mundo inteiro. Encontrar o nome certo, que transmita esses valores por si só, é o desafio que constrói a história de sucesso de certas marcas. Vamos continuar vendo grandes nomes sendo criados. Mas que os pintos vão continuar pegando as chanas nas esquinas do mundo, isso você pode ter certeza!


Fiat 500: rompendo o último preconceito

06/10/2009

Estreei, na última sexta feira, como colunista do jornal Autoshow. Este é um veículo gratuíto distribuído semanalmente para 30 mil leitores nas ruas de São Paulo. Pertence a um grupo de veiculos de comunicação que ainda inclui um portal na internet, além de ter sido o pioneiro em feirões de automóveis usados e programas de oferta em tv. Seus Feirões de Usados tem mais de cinco mil ofertas por semana. Minha coluna abordará o marketing na indústria automobilística. Espero que eu tenha leitores suficientes, para que continue publicando sempre minha visão sobre o assunto.

Para quem não mora em SP, ou não recebeu o jornal, segue o texto abaixo. Opiniões são muito benvindas.

Fiat 500

Você pára os mais de cinco metros de sua imponente SUV num sinal fechado e, de repente, ao seu lado estaciona um carrinho que não tem mais da metade do tamanho do seu possante. É difícil deixar de reparar como ele se impõe. Todos os pedestres que atravessam a rua olham para o seu vizinho, como se ele fosse muito maior e mais chamativo. Maior não é. Chamativo, com certeza.

Primeiro foi o Mini, depois o Smart Fortwo. Agora, chega ao Brasil o Fiat 500. Não quinhentos, mas cinquecento (se diz tchincuechento), pois é mais charmoso. E é esse o segredo do sucesso dessa nova categoria de automóveis que surge nas ruas brasileiras: o charme.

As montadoras européias sempre foram mais criativas em encontrar soluções diferenciadas, de forma a renovar o interesse do comprador pelos seus produtos. Diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde espaço e grandes avenidas não são um problema, várias cidades européias tem uma malha viária surgida na idade média. Muitas não possuem ruas mais largas do que o espaço de dois carros. Somado a isso, estacionamento é um problema comum, devido às construções de antes da invenção dos veículos de motor a explosão. Sem espaço, a solução é criar modelos pequenos, mas com charme suficiente para encantar os compradores. Como na grande maioria as pessoas andam sós, o mais importante é o conforto para o motorista. Surge aí o mercado de nicho para os minicarros.

Lançados os concorrentes, chegou a vez de a Fiat trazer seu modelo. Ela já conquistou o coração do brasileiro, tendo se tornado líder há sete anos. Falta convencer o consumidor que sabe construir outros modelos que não somente os populares. No segmento dos aventureiros leves, ela fez um bom trabalho e lidera tranquila se somarmos todas as suas versões Adventure. Mas falta conquistar os abonados, aqueles que podem pagar por confortos presentes em grandes sedans e mesmo nas banheiras americanas, e que ainda não se convenceram a dirigir modelos mais caros da Fiat, como o Línea, recém lançado.

Talvez seja esta a estratégia da fábrica: Confirmar sua veia inovadora, num segmento em que pequenos mimos, fortes motores e charme em excesso convencem o consumidor a pagar mais de 60 mil reais por minúsculos automóveis. Consumidores estes que exigem o mesmo alto padrão com o qual já estão acostumados. Se essa estratégia der certa, esses formadores de opinião podem ajudar a romper a última barreira que falta à montadora italiana para ela consolidar sua liderança em todos os segmentos do mercado brasileiro.


Honda City: Estratégia de preço pode gerar posicionamento

29/08/2009

Honda CitySão oito os leitores que enviaram cartas para a redação da revista Quatro Rodas comentando sobre o lançamento do novo carro da Honda, o médio City. Diferentemente do habitual, em que as cartas tem conteúdo que discutem design ou as eternas brigas de mercado, todos se concentraram em comentar o preço do modelo. Não teve um que não escreveu ser o valor pedido acima do que o carro vale. Como cita a própria revista, que coloca um trecho da carta do leitor Celso Pires em destaque, “A Honda deve achar os consumidores míopes ou lunáticos: de 56 200 a 71 000 reais por um carro do porte de um Polo, Fiesta e Corsa Sedan? É demais!”

Esta é sempre uma questão traiçoeira, em se tratando de marketing: como precificar novos produtos. O valor pedido gera imediatamente uma resposta, seja em posicionamento, seja em vendas. Não precisa ir muito longe. Pense em supermercados, ou em lojas de eletrodomésticos. Ambos os tipos de posicomércio vendem produtos de marcas de terceiros, mas diferenciam-se através de serviços e preço. Do lado das redes de baixo preço, poderíamos citar Walmart, Carrrefour e Casas Bahia. Na outra extremidade, vendendo comodidade e cobrando por isso, o Pão de Açucar e FastShop. Não quer dizer que você não possa encontrar melhores ofertas nestas duas últimas empresas. Só que o posicionamento, a forma de se apresentar ao grande público, não é focada em destacar o fator economia. 

A mesma Quatro Rodas ainda faz uma varredura na rede Honda e constata que os consumidores estão indo aos montes conhecer o novo carro, mas muitos saem dirigindo o Civic, que com, descontos, parte de sessenta mil reais. Pode residir aí a estratégia da montadora: atrair consumidores à sua rede e vender o máximo possível. O City, para aqueles que querem desfrutar de um modelo recém-lançado, mesmo pagando a mais por isso. Ou o Civic, modelo já consagrado, mas que alguns possíveis compradores não se veem em condição de adquirir e que podem mudar de idéia numa conversa com um vendedor.

Seja qual for a razão, de uma coisa podemos ter certeza: lentamente e de forma consistente, a Honda vem ampliando sua participação no mercado brasileiro.


Realidade Aumentada ganha espaço nos folhetos de automóvel

12/08/2009

Confesse. Não tem coisa mais chata que folhetos de automóvel. Enquanto o carro zero é hipnotizante, com um cheirinho que convida ao consumo desenfreado, sair da concessionária com um pedaço de papel é desanimador. Você chega em casa, maravilhado com o que viu no ponto de vendas e tudo o que você tem de reação das pessoas para quem mostra o material é um muxoxo de desaprovação.

As montadoras sabem disso. E vem desenvolvendo materiais cada vez mais interessantes. Para você, três exemplos internacionais. E o melhor, com o direito de um “making of” no caso do Mini.


Toyota Prius. Além de poluir menos, ainda faz boa propaganda

30/07/2009

Ver o carro, por si só, já seria fantástico. Ele é o Toyota Prius, o híbrido mais vendido do mundo. Híbrido? Sim, um carro que funciona a gasolina e bateria, poluindo menos. O investimento pioneiro da montadora japonesa demonstrou às demais fabricantes que soluções existem. Basta acreditar.

O modelo foi lançado em 1997 e este ano chegou à sua terceira geração. Mais moderno, com certeza. Mas o que impressiona é a campanha publicitária de lançamento, que usou uma técnica fantástica: pessoas fazendo todo o cenário. É simplesmente incríver ver as pessoas formando árvores, nuvens, cachoeiras que se modificam à medida que o carro desfila pelas estradas.

De quebra, além dos três comerciais ainda tem o making of. Have fun!


Voo 447: o que a TAM tem a ver com isso II

13/06/2009

Ninguém mais fala da turbulência que o voo da TAM sofreu no último dia 26 de maio, quando alguns passageiros precisaram ser socorridos e até operados. Uma perda repentina de altitude pouco antes de pousar foi rapidamente esquecida após a tragédia do voo 477 da Air France.

Airbus TAM

O pitot virou o grande vilão do momento, mas nos últimos dias seis aeronaves Airbus passaram por problemas, três dos quais relativos a falhas elétricas. O último com uma aeronave da TAM, que se preparava para levantar voo do aeroporto de Florianópolis, na quinta feira passada. A Airbus já soltou press-release afirmando que seus aparelhos são seguros.

A TAM está silenciosa. No que está certa. Não é hora para ela se expor desnecessariamente, já que a própria fabricante tomou para si a  missão de acalmar os possíveis passageiros das diversas companhias aéreas que usam seus produtos por todo o mundo.

Por outro lado, podemos ter certeza que suas concorrentes, seja a Gol que voa com Boeings, seja a Azul, que usa aviões da Embraer, irão ficar quietas nesse momento. Um acidente aéreo não afeta somente uma empresa. Afeta todo o mercado de viagens aéreas, diferentemente do que ocorre quando vemos alguma montadora de automóveis passar por problemas. Ela sofre e seus concorrentes ganham com isso. É só ver como a General Motors vem perdendo participação de mercado para suas concorrentes.

É, o mercado é realmente um bicho esquisito.