Depois de Michael Jackson a comunicação não será a mesma

29/06/2009

Podemos afirmar que o superstar Michael Jackson será conhecido no futuro por dois feitos completamente diferentes: primeiro, o recorde de vendas de discos conseguido com Thriller. Seus mais de 100 milhões de cópias vendidas, de acordo com sua gravadora, nunca mais será batido. Principalmente porque a venda de músicas está migrando de álbuns para faixas, devido ao MP3 e à internet.

Thriller

Segundo, porque sua morte será o marco da passagem do mundo offline para o online, do real para o virtual, quando nos referimos a como o mundo se informa e comunica. Em 1994, a morte de Ayrton Senna gerou uma comoção parecida à de Michael Jackson, mesmo que restrita ao Brasil. Todas as TV’s e rádios transmitiram a notícia por horas e horas. Mas nada se compara ao que houve agora com a morte do rei do pop. As pessoas não correram para ligar seus rádios, nem mudaram os canais de suas tv’s. O computador e o celular tomaram o lugar desses meios, provando que passamos a ser uma geração digital e proativa.

O Twitter foi a principal ferramenta de divulgação da novidade. Após o anúncio da morte, pelo site de fofocas TMZ.com, o número de tweets por segundo dobrou. O site saiu do ar, bem como o Google, por não terem dado conta do tráfego extra. O Youtube e a Last.fm foram os meios preferidos para se rever os clipes do artista. E todos os portais dedicaram páginas e páginas (ou vídeos e vídeos) à cobertura da sua carreira.

Lógico que as TV’s e rádios reagiram e fizeram suas homenagens. Bem como os jornais e revistas. Um pouco atrasados, e sempre de uma forma não participativa. Enquanto que a internet ficou coalhada de mensagens de milhares de fãs, os meios tradicionais ainda precisam aguardar os índices de audiência para saberem o quanto suas coberturas atingiram ou não o gosto dos ávidos por informação.

Um marco como este, a morte de um gênio, reforça a principal diferença entre o mundo que está se extingindo e o que está surgindo: o imediatismo. A internet está nos livrando das amarras dos horários fixos com que as televisões nos controlam. Não estou falando que as TV’s não tenham capacidade de entrar com notíciários de última hora para divulgar notícias extraordinárias. Mas só a internet nos permite abraçar a saudade do astro e vermos o que e quanto quisermos de sua carreira, sem que isso seja ditado por um diretor de produção. Ou nos aprofundarmos em assuntos que nos interessem, sem que tenhamos que esperar o horário do começo do noticiário.

Esse é o legado mais importante que a morte de Michael Jackson irá nos deixar. Como cantava Raul Seixas, benvindo ao século XXI!

Anúncios

Google e os jornais. A guerra está apenas começando

21/04/2009

Corro o risco de parecer estar me repetindo, mas volto ao tema dos direitos autorais. Dessa vez para refletir a discussão do momento entre os jornais americanos e o Google. Na semana passada, esperava-se um confronto entre as partes numa convenção dos jornais americanos, durante palestra do presidente do Google. Não houve. E isso porque a Associated Press anunciou, via discurso onde não citou diretamente o buscador, que iria exigir dos sites de busca um pagamento pelo uso de suas matérias e dos jornais associados.

A questão novamente é quem lucra ou não com o trabalho. Os jornais alegam que eles mantem as estruturas de jornalistas e de seus próprios sites, mas que os buscadores lucram com as propagandas colocadas em suas páginas, sem precisar montar uma estrutura tão ampla. Mas não podem abrir mão do fluxo de novos leitores que os buscadores enviam para eles, sob o risco de verem diminuir sensivelmente o número de leitores virtuais.

Vejo pelo meu próprio exemplo. Leio muitas matérias do New York Times, do The Guardian, da Forbes e da Times, mas minha porta de entrada é sempre as minhas buscas. Se fosse tentar pesquisar os vários veículos de comunicação, minha leitura se limitaria aos poucos que me lembrasse, ou à minha paciência em ficar abrindo diversos sites à busca dos assuntos de meu interesse.

Google News Timeline

Em meio a essa discussão, o Google lançou ontem um novo serviço, o Google News Timeline, que vai além do Google News, e permite numa só tela que o internauta tenha uma visão histórica das notícias sobre os assuntos que esteja pesquisando. Seja semanal, mensal, anual ou por décadas. Um serviço que amplia ainda mais a vantagem que eles tem sobre os jornais como endereço inicial de busca de notícias e, consequentemente, aumentando a possibilidade de lucrar com publicidade.

Essa discussão se une àquela dos copyrights de músicas e filmes, que acaba de ter um novo round vencido pelas gravadoras, durante o julgamento do PirateBay. Mas eu continuo acreditando que a solução virá pela criação de uma nova forma de se cobrar os direitos autorais, deixando de ser algo individual e passando a ser algo próximo a uma assinatura de serviço.

O tempo irá criar uma nova solução. É só esperar.


Twitter: Um novo Google, ou um novo Second Life?

07/04/2009

Uma das melhores formas de se conhecer o sucesso de um novo empreendimento é o buzz gerado em sua volta e o aparecimento de críticas. Twitter é, sem dúvida, um sucesso. De origem relativamente recente, ele já foi capa de revistas semanais, brasileiras e estrangeiras. Esta semana surge a notícia que seu CEO, Evan Williams, recusou proposta da Google de compra por U$ 250 milhões. Para ele, o valor do serviço é de um bilhão de dólares.

Mas o que será que todos veem no Twitter? Alguns não veem nada, como você pode assistir no ótimo vídeo abaixo, dica do João Britto

Assistindo a esse vídeo, veio a minha mente outra febre da internet 2.0, o Second Life. De um dia para outro, todos correram para criar seus avatares e terem uma vida paralela no mundo virtual. As empresas, descobrindo um possível novo filão, passaram a criar formas paralelas de divulgar e vender produtos. E até dinheiro virtual, o Linden, era possível de se ganhar nesse portal surgido em 2003. Cheguei, inclusive, a pilotar uma Mercedes-Benz numa pista virtual. Deu vontade de sair dali direto para a concessionária do mundo real.

Passados seis anos, o Second Life foi do desconhecimento para as luzes da ribalta e voltou para um completo ostracismo. Esse é o risco do Twitter, passada a sua febre. Lógico que a Google vê mais do que uma febre. Para eles, é a possibilidade de ganhar mais uma funcionalidade, a da busca de termos que as pessoas estejam discutindo no momento. O que abre diversos usos, de pesquisas sociológicas a usos marquetológicos.

De toda forma, Second Life e Twitter nos mostram que existe um uso social para a internet que ainda não foi completamente preenchido. Quem mexe com marketing precisa ficar antenado. Uma hora dessas qualquer vai aparecer o google do mundo social. Não dá para a gente ficar fora dessa.


Google vai dominar o mundo

24/03/2009

Foi com essa frase que meu filho me chamou a atenção para o quão rápido poderá ser o domínio da Google em nosso mundo da internet. Ele me fez lembrar que comentávamos o mesmo sobre a Microsoft há pouco mais de 15 anos. E o que houve depois disso? A segunda revolução da informática.

Google Microsoft

Se a primeira revolução foi o Personal Computer, que introduziu um computador em cada casa, a internet se encarregou da segunda, trazendo a interatividade e o sistema de computação em nuvens, Podemos dizer que a Microsoft está para a primeira como o Google está para a segunda.

Fico imaginando as pessoas no começo do século XX, olhando para o aparecimento dos monstros chamados General Motors e Ford. Elas foram, naquele tempo, o que Microsoft e Google são para nós, nesse momento.

GM Ford

A história, de alguma forma, se repete. A Ford inventou a linha de produção e virou líder do mercado em poucos anos. A General Motors, vindo depois, teve que entender melhor o mundo do automóvel e o que ele significava para as pessoas. Ao invés de olhar para o mercado e ver automóveis como meio de locomoção e buscar baixos custos, a GM entendeu que eles poderiam ser um símbolo de status. E incentivou isso, através da criação de cores diferentes e modelos que evoluiam e tornavam os anteriores velhos, ano após ano.

A Microsoft é a Ford do mundo da informática. A Google se parece com a General Motors. A GM está a beira da falência. A Ford também. Nenhum domínio dura para sempre.