A guerra dos DDA’s

19/10/2009

Por iniciativa da Federação Brasileira dos Bancos, começou hoje o fim dos boletos bancários impressos. O pagamento de boletos por meio eletrônico, chamado de Débito Direto Autorizado não é nada mais nada menos do que a informatização dos pagamentos rotineiros. Com ele, você não vai mais precisar digitar nada nos sites dos bancos, pois até mesmo o código de barras virá preenchido. Bastará você reconhecer a dívida e dar um de acordo para que sua conta seja debitada. Você ganha tempo, os bancos economizam nos processamentos e ainda se eliminam toneladas de papéis circulando, poluindo e derrubando árvores.

Interessante notar que, mesmo sendo um serviço commodity, ou seja igual em todas as redes bancárias, os cinco principais competidores do mercado brasileiro anunciaram a novidade na Veja deste último final de semana. Você pode ver lá: Bradesco, Caixa, Santander/Real, Itaú e Banco do Brasil fizeram anúncios de página dupla apresentando a novidade. A razão é que o DDA só funcionará se você autorizar o banco a utilizá-lo nas suas contas a serem pagas. Não é automático.

Um fato chama a atenção. Enquanto Santander, Itaú e Banco do Brasil aproveitaram a oportunidade para apresentarem seus diferenciais, de forma a lhe dar argumentos para escolher um deles, Bradesco e Caixa fizeram anúncios informativos, como se não fosse possível, ou desnecessário, tentar diferenciar seus DDA’s dos DDA’s da concorrência. São posturas diferentes que dizem muito a respeito do posicionamento de marketing de cada uma das instituições.

Lógico que o maior trabalho de convencimento será feito pelos gerentes das filiais de cada rede de banco. Mas como imagem de marca é o somatório de todos os contatos entre cliente e empresa, avaliar o que essa diferença de postura quer dizer pode nos ensinar um pouco como fazer com as marcas que representamos.

Vamos aguardar um pouco, para descobrir que irá vencer essa “Guerra dos DDA’s”.


Líder muda. Para continuar líder

03/02/2009

Não precisa pesquisar muito para ver o impacto que a entrada das Casas Bahia produziu com sua entrada, aliás atrasada, no comércio eletrônico. Todos os meios de comunicação deram a notícia, seja pelo interesse que eles próprios tem no varejista, seja pelos impactos que a maior rede brasileira tem no mercado como um todo.

A estréia foi tímida, considerando-se o tamanho da rede. E errada, pois o tiro deles foi tentar ensinar o consumidor a acessar a página. Só que divulgar um endereço que é óbvio com um vídeo de quatro minutos e meio no Youtube é não conhecer com quem se está falando.

Mas não fique feliz achando que eles não irão se encontrar rapidamente. Em novembro de 2005, as Casas Bahia lançaram, junto com o Bradesco, seu cartão de crédito private label. Naquela época, Michael Klein, filho do fundador e atual presidente, dizia que o cartão seria “…para vendas parceladas em até 24 vezes na rede…” com “…juros de 3,5% ao mês e limite a partir de R$ 100…” Hoje, não existe mais anúncio da rede que não declare ser possível comprar em 10 vezes sem juros, numa versão de venda muito mais voltada para as classes A e B do que para os tradicionais clientes da classe C e D da rede. Em três anos eles já emitiram mais de cinco milhões de cartões próprios. São as Casas Bahia conquistando novas faixas de público.

Agora é a vez da Internet. A mesma disposição em aprender o que o consumidor que se utiliza de cartão de crédito quer deverá ser vista na busca pelo consumidor desse novo canal de vendas virtual. Não é a tôa que eles são os reis do varejo brasileiro.


Inovação, seu nome é Abril!

15/01/2009

Esta semana estou muito midiático. E a favor dos campeões de audiência. Só isso para explicar este post após um falando bem da Rede Globo.

Estou muito bem impressionado pelas inovações da Editora Abril. As duas últimas paixões são a Revista da Semana e o Acervo Digital da Veja. Ser líder é isso: arriscar antes dos concorrentes, mesmo que signifique perder dinheiro em certos momentos.

Para quem não viu a Revista da Semana ainda, vale a pena dar uma corrida à banca de jornais mais próxima e comprar um exemplar. Ou acessar o link acima, que é bom, mas prescinde de algumas matérias que, creio não são aprovadas de ir para a internet pelos criadores originais. Confuso? Explico.

revistadasemanaA Abril tem a terceira maior revista de notícias semanais do mundo, a Veja. Para quê uma outra? Provavelmente para buscar outro público, talvez a classe C que vem crescendo e buscando cada vez mais informação. A dica está no preço da capa. Enquanto Veja custa R$ 8,40, a Semana é vendida por quase a metade do preço, R$ 4,90. Matérias escritas exclusivamente para ela? Não. Ela é um resumo do que os jornais andaram falando nos últimos sete dias. E muito bem feito. Mas o que mais me agrada são as análises ou matérias reproduzidas de grandes jornais internacionais, que parecem ser escolhidas a dedo.

Como exemplo, na revista desta semana leio o texto sobre Jon Favreau. Quem é? O gost-writer de Barack Obama. Gost o quê? A pessoa que escreve os discursos que o homem mais poderoso do mundo irá ler, é isso. Matéria do Washington Post. Só que não adianta procurá-la no site da revista. Só está disponível na versão impressa.

Shell 1969 Por outro lado, a Abril disponibilizou todos os exemplares de sua história eletronicamente. O Acervo Digital da Veja é sempre atualizado nas sextas-feiras. O exemplar da semana nem saiu das bancas e já está disponível para quem quiser na internet.

Palio 1996 Engana-se quem acha que isso já existia. A inovação não é incluir as matérias na internet. É disponibilizar a revista, página por página, no seu computador. Com propagandas e tudo. Para quem, como eu, publicitário, é curioso ou precisa fazer qualquer tipo de levantamento da história publicitária, é uma ferramenta e tanta.

Bradesco 2009 Só como exemplo, três anúncios: O pscodélico anúncio da Shell de 1969, o lançamento do Fiat Palio em 1996 e a última contra capa da última Veja disponibilizada, o fantástico 2000inove do Bradesco.

Líder é isso!