Em 2010 aprenda a surfar

03/01/2010

2009 foi um ano esquisito. Nós, brasileiros, acostumados a enfrentar com jeitinho as crises que a inflação vivia nos trazendo, ficamos paralisados à espera do Tsunami que vinha de fora. E que não passou de uma marolinha, como bem avisou nosso chefe supremo. As empresas que se retiraram da praia, para evitar a catástrofe que se anunciava deixaram para os irresponsáveis que continuaram se bronzeando na areia do mercado as oportunidades que não voltam mais.

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2010 começa agora. Desejo para você paz, amor, saúde, felicidade e dinheiro. Mas principalmente que se matricule num curso de surf. Assim, da próxima vez que o mar estiver revolto, é só pegar a prancha e partir para enfrentar, com prazer, os turbilhões.

Feliz 2010!


Youtube: até você pode ficar famoso um dia

05/09/2009

Se tem uma coisa que a internet nos deu foi o direito de escolha. Hoje em dia dá para ficar na frente do computador e descobrir pérolas como a interpretação das músicas do Michael Jackson feita pelo cantor Sam Tsui e o produtor Kurt Schneider. Quem são? Um dos milhares novos canais de opção que o Youtube nos dá. Bom proveito!


Twitter: Um novo Google, ou um novo Second Life? II

22/05/2009

Comentei aqui, no começo de abril, que a febre Twitter poderia acabar da mesma forma que o Second Life. Um crescimento estonteante em pouco tempo e, de repente, um sumiço total do mercado.

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Logo depois apareceu uma pesquisa da Nielsen afirmando que 60% das pessoas que entram no microblogging deixam de atualizar suas páginas no período de um mês. O que parece ser um problema, ainda mais considerando-se que Facebook e MySpace conseguem reter uma média de 60% dos seus usuários.

Porém, parece-me que a questão que deveríamos olhar é uma outra. Como observado pela pesquisa da Cartoon Network, as crianças estão trocando o e-mail por meios mais imediatos, tais como SMS, Messenger e outras redes sociais. Twitter entra nessa mesma seara. É a consolidação do modelo on-line, as mensagens imediatamente postadas, sobre o off-line, o envio de mensagens que serão lidas independente da hora enviada.

A pergunta que devemos fazer é: mesmo que o Twitter venha a morrer, seja devido a baixa retenção, seja ao aparecimento de outros concorrentes com o mesmo propósito, o que esse aumento da velocidade de comunicação irá causar na comunicação que fazemos para os produtos e serviços para os quais trabalhamos?

É uma pergunta de um milhão de dólares, como se costuma brincar por aí. Pois quem responder primeiro tem uma forte chance de ficar milionário.


Ruas do Brasil: 21 de maio

21/05/2009

Quem lê meu blog, sabe da minha fixação por entender de onde vem os leitores. Vez ou outra eu posto sobre as curiosidades das cidades que vejo nos controles do Google Analytics. Agora, vou tentar fazer um outro passeio pela geografia do Brasil: vou postar uma nota sobre as ruas nacionais com nome de datas, uma por dia. Minha idéia é comprovar que temos pelo menos uma rua com o nome de cada dia do calendário. E começo hoje, pois é a data de aniversário de um dos meus filhos.

Imagem do mapa

 

Arapiraca é uma cidade do estado do Alagoas, onde encontramos a Rua 21 de Maio. Ela abre nossa série, apresentando-nos uma localidade com 208 mil habitantes. Que talvez não saibam que em 1904, neste dia, foi criada a Fifa, Federação Internacional de Futebol. Que já teve um presidente brasileiro. João Havelange, de 1974 a 1998.

21 de maio 

A Fifa teve um presidente brasileiro porque somos o melhor país do futebol mundial? Ou somos o melhor país do futebol mundial porque a Fifa teve um presidente Brasileiro?


Música no Marketing: Elas estão no poder

08/05/2009

Fechando a série de posts desta semana, aproveito a dica do meu amigo Wilson Oura para mostrar mais uma forma de dizer a mesma coisa através de músicas diferentes.

Não é mistério para ninguém que o amor, a paixão e o envolvimento romântico são temas recorrentes de músicas em qualquer parte do mundo. E fazer odes ao amor pelas mulheres é um dos motivos mais comuns, independente do gênero.

Vai aqui o vídeo da música de Frejat. Coincidentemente, vivo cantando para minha esposa. Esperto que sou, tem anos que já sei quem manda de verdade.

Só que existem formas e formas de dizer isso. E cada grupo posiciona-se de jeito a atingir um perfil de consumidor. Neste caso, apesar dos dois grupos fazerem Rock, o Barão Vermelho parece um bando de estudantes de colégio de padres frente à agressividade e liberalidade da letra da música dos Velhas Virgens, ambos falando sobre como as mulheres mandam  e desmandam nos seus pares. Enquanto Frejat canta “Por você eu tomaria banho gelado no inverno”, Paulão de Carvalho manda um “A gente faz papel de besta porque elas tem o que a gente quer”.

Barão Vermelho, você com certeza já conhece. Criado em 1981, deve a Cazuza sua fama e vários de seus sucessos. Já o Velhas Virgens, criado em 1984 e considerada a maior banda independente do Brasil, você dificilmente ouvirá em rádios. Suas letras abusam de sexo e bebidas, como é o caso da música “BU…….TA”, que cito acima. Diferentemente dos shows do Barão, que tem público de ambos os sexos, os Velhas Virgens atraem em sua grande maioria somente homens. Porém, se o Barão tem vários concorrentes no gênero rock comercial, os Velhas Virgens reinam sozinho no que poderia ser chamado de pornorock.

Como tudo em marketing, vencer depende de decisões de posicionamento inicialmente assumidos quando da análise de mercado. O Barão Vermelho trilhou o caminho do sucesso comercial. O Velhas Virgens, o do mundo underground. Mas, no fundo, os dois concordam: São elas quem mandam, de verdade.


Música no Marketing: A vida me levar…

06/05/2009

Esta semana o blog está bastante musical. Até porque taí um produto que tem um ótimo hábito de usar ferramentas dessa nossa ciência nada exata para se propagar. Mais do que isso, música para mim é uma forma de conhecer e entender a cultura dos povos e pessoas com quem nos relacionamos.  

Zeca Pagodinho e Skank

Fiquei maravilhado com a coincidência de letras entre as músicas do Zeca Pagodinho e Skank. Não dá para falar que o público alvo desses dois cantores/grupos é o mesmo. Quem curte rock pode até se divertir com o pagode e vice e versa. Mas na hora de botar a mão no bolso e assistir um show de um desses dois, dificilmente o que veremos são pessoas com o mesmo perfil.

Mas os dois cantam em prosa e verso o anti-planejamento quando as letras de suas músicas dizem “Deixa a vida me levar” e “Vou deixar a vida me levar”. Opa! Até as palavras são as mesmas.

Fui pesquisar e descobri que diversas pessoas já haviam notado essa coincidência. Éder Luiz Bolson, inclusive, retrata em seu site diversos outros exemplos de como a cultura brasileira valoriza deixar a decisão nas mãos do destino. Brincando, brincando, ele cita mais dez exemplos, tais como  “Vida breve. Já que não posso te levar, quero que você me leve ” de Cazuza em “Vida, louca vida”; ou “Coisa que gosto é poder partir sem ter planos” de Milton Nascimento em “Encontros e despedidas”. Até um Juiz de Direito, José Henrique R. Teixeira, usou-as numa palestra, aproveitando e dando exemplos contrários, como Geraldo Vandré cantando “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.

Como marqueteiro e publicitário recuso-me a pensar que a vida vai tomar as decisões por mim. Ainda mais na minha área profissional. Mas me impressiona saber que culturalmente o brasileiro está mais próximo do “no final dá tudo certo. Se ainda não deu é porque ainda não chegou no final”. Creio que nenhum de nós que trabalha nessa área pode se dar ao luxo de não pensar um pouco em como essa nossa cultura nacional afeta a imagem e as vendas de nossos produtos e serviços.

Vale o esforço de buscar exemplos dessa influência. Significa dizer que este post terá a parte II em breve. Aguarde!


Música no Marketing: Wanessa Camargo agora é pop

05/05/2009

Você tem dúvidas se pessoas são ou não são marcas? Pois bem, pense nos artistas. Eles são a prova mais cabal de que pessoas tem as mesmas características que nós aprendemos a construir para as marcas com as quais trabalhamos.

Eles nascem, crescem e morrem como marcas, como qualquer uma de cerveja, sorvete, shampoo ou pasta de dentes. E muitas vezes é necessário um reposicionamento, pois o produto está deixando de vender e uma mexida nas suas características pode reverter esse quadro.

 

 

 

Não sei se você já ouviu a nova música da Wanessa Camargo, fazendo dupla com o rapper Ja Rule. É, sem sombra de dúvidas, o final de um reposicionamento bem feito. Se você não sabe, ela começou a cantar em 2000, aos 17 anos, e sofreu durante anos um bombardeamento da imprensa e público que a comparava com a Sandy, por diversas razões: primeiro, as duas são filhas de cantores famosos. Segundo, a diferença de idade delas é de apenas um mês. Só que a Sandy cantava, nessa época, para adolescentes e crianças. E Wanessa veio num estilo meio romântico, meio brega.

Desde o início, se tranformou numa anti-Sandy. Sandy era virgem? Ela anunciou para todos que já havia passado dessa fase. A filha do Xororó sempre se expôs de forma comportada? A filha do Zezé di Camargo faz o gênero sexy. Até os maridos delas são como água é vinho. Sandy se casou com o Lucas Lima, músico da família Lima, um grupo que tem como perfil algo próximo a música clássica. Já Wanessa casou-se com empresário capixaba Marcus Buaiz, que entre rádios e eventos tem um perfil mais para o popular.

O novo posicionamento tem dedo do Marcus, com certeza. E como todo reposicionamento, tem o risco de perder o público antigo e não ganhar um novo. Lógico que eles se cercaram de todos os cuidados. Ela gravou com Ja Rule a música Fly, que já está tocando nas rádios FM’s que ela não conseguia entrar antigamente. Mas para não correr o risco com seus antigos fãs, existe a versão em português, que deve estourar nas rádios mais populares. 

Wanessa é uma marca em transformação. É uma forma de alongar a vida do produto, da carreira de cantora. Ela sabe do valor de seu nome. Resta perguntar: Você sabe o valor do seu?