Virgin America, Air New Zealand e segurança

08/07/2009

Tendo postado sobre a brilhante campanha da Air New Zealand, fiquei curioso para saber como a mais cool das companhias aéreas, a Virgin América, faria seu vídeo de instruções de segurança.

Para quem não se lembra, a Virgin é o grupo de empresas do multimilionário Richard Branson. Aquele que começou com uma gravadora, já patrocinou o giro ao mundo em balões, patrocina atualmente a equipe Brawn do Rubinho Barichello e está planejando em ser o primeiro a operar uma empresa de voos suborbitais. Uma coisa sempre ligou suas empresas, independente da área de atuação: Sempre foram as mais cool do setor.

O resultado surpreende. O vídeo mostra um toureiro colocando o cinto de segurança ao lado do touro, que mostra cara de enfado. Um cara com cabeça de peixe e ou tro com cara de roqueiro. E uma freira que usa computador, celular, todos os itens eletrônicos possíveis. Tudo isso num tom de sarcasmo incrível. Afinal, como o próprio vídeo diz, ele é feito para os 0,0001% dos que nunca voaram anteriormente.

O resultado é bom. Mas o Nada a esconder é melhor.


Air New Zealand: Nada a esconder

07/07/2009

Certas campanhas surpreendem pela simplicidade e força da mensagem. a Air New Zealand, de Nova Zelândia, colocou no ar recentemente uma nova linha de comunicação com seus funcionários pelados e com os corpos totalmente pintados. Sendo uma companhia de low fare, a mensagem é clara: nós não temos nada a esconder de você, consumidor. Não morando lá, não dá para saber se isso é referência a alguma concorrente, que possui também preços baixos, mas que cobre valores não anunciados no momento da emissão do bilhete, apesar disso já ter sido motivo de campanhas anteriores.

Independente do motivo, é uma campanha empolgante. E que não fica somente na TV, mas invade também o site de internet e, principalmente, o filme sobre os procedimentos de segurança.

Sem sombra de dúvidas, uma grande campanha.


Voo 447: O que a TAM tem a ver com isso III

30/06/2009

Foram 30 dias entre o acidente da Air France e o da Yemenia. Como ponto em comum entre os dois, a fabricante européia Airbus. Se não ficaram claros os motivos do acidente da companhia francesa, o avião do Iemen já havia sido proibido de voar para a Europa devido às condições de sua manutenção, o que ameniza para o lado da Airbus.

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Mas as manifestações contra se voar naquele tipo de aeronave começam a aparecer discretamente. No Twitter, os comentários são vários, a maior parte pequenas piadas, mas que demonstram que as pessoas começam a se preocupar. Hoje, no programa humorístico Pânico, a citação ao risco Airbus deu as caras. Para entrar no imaginário nacional é um pulo.

No Brasil, o risco é todo da TAM, como já citei aqui mesmo no blog. Sua frota é quase toda composta de aeronaves da marca, o que faz dela a representante oficiosa da empresa. Problemas com a Airbus significam problemas para a TAM. E ela já conhece bem o que isso significa, devido aos problemas com os Fokkers. Foram seis longos anos até começarem a substituir a frota.

A330 TAM

Em maio, a TAM perdeu participação e viu a Gol se aproximar ameaçadoramente. Foram mais de 4% a menos de participação de mercado, caindo de 49,2 para 44,9% do total de voos domésticos. Enquanto isso, sua concorrente subiu de 38,7 para 42,0%. E até mesmo a Azul subiu, assumindo um terceiro longínquo lugar, com 4,16%.

Só que é muito cedo para creditar essa perda ao efeito Airbus. O fechamento de junho poderá dizer se existe razão para que os executivos da TAM comecem a se preocupar e a preparar uma operação de guerra para preservar a imagem de sua frota.

Esse é um bom exemplo de caso a ser seguido. O mercado aeronáutico vive entre a cruz e a caldeirinha. De um lado, o medo inexplicável das pessoas utilizarem um dos mais seguros meios de transporte. Do outro, a total dependência de empresas que não tem uma velocidade de resposta rápida o suficiente para abafar possíveis problemas de escala mundial. Não que não queiram. Mas a complexidade do produto é tão grande que qualquer mudança leva anos para surtir efeito.

Acompanhar o desenrolar dos fatos sob o ponto de vista do marketing, observando as ações tanto da Airbus quanto da TAM para preservarem suas respectivas imagens pode nos ensinar como evitar problemas maiores nos pequenos problemas que enfrentamos em nossas empresas.

Quem viver, verá!


Lufthansa e sua sala 3D

24/06/2009

A Lufthansa encomendou e a Whitevoid realizou a simulação do tráfego aéreo mundial. O resultado é incrível e dá uma noção da complexidade que se tornou voar hoje em dia. E o mais interessante: o vídeo só mostra os 16 mil voos diários da empresa e das suas associadas na Star Aliance. Imagine, então, se fossem representados todos os padres e seus voos de balão!


Voo 447: o que a TAM tem a ver com isso II

13/06/2009

Ninguém mais fala da turbulência que o voo da TAM sofreu no último dia 26 de maio, quando alguns passageiros precisaram ser socorridos e até operados. Uma perda repentina de altitude pouco antes de pousar foi rapidamente esquecida após a tragédia do voo 477 da Air France.

Airbus TAM

O pitot virou o grande vilão do momento, mas nos últimos dias seis aeronaves Airbus passaram por problemas, três dos quais relativos a falhas elétricas. O último com uma aeronave da TAM, que se preparava para levantar voo do aeroporto de Florianópolis, na quinta feira passada. A Airbus já soltou press-release afirmando que seus aparelhos são seguros.

A TAM está silenciosa. No que está certa. Não é hora para ela se expor desnecessariamente, já que a própria fabricante tomou para si a  missão de acalmar os possíveis passageiros das diversas companhias aéreas que usam seus produtos por todo o mundo.

Por outro lado, podemos ter certeza que suas concorrentes, seja a Gol que voa com Boeings, seja a Azul, que usa aviões da Embraer, irão ficar quietas nesse momento. Um acidente aéreo não afeta somente uma empresa. Afeta todo o mercado de viagens aéreas, diferentemente do que ocorre quando vemos alguma montadora de automóveis passar por problemas. Ela sofre e seus concorrentes ganham com isso. É só ver como a General Motors vem perdendo participação de mercado para suas concorrentes.

É, o mercado é realmente um bicho esquisito.


Honda e o admirável mundo novo

22/04/2009

Enquanto a General Motors luta para se salvar, a Honda vem cada vez mais ampliando suas fronteiras e deixando de ser uma produtora de veículos para se classificar como uma produtora de soluções de locomoção. Como já dizia Theodore Levitt, no seu livro Imaginação de Marketing, um dos principais aspectos para se diferenciar e prosperar é ampliar seu foco de atuação. E locomoção é maior do que o mercado automotivo.

Depois de ter entrado na aviação, agora é a vez de começar a revolucionar o mercado direcionado aos paraplégicos, com o lançamento de dois equipamentos que, se no momento só facilitam a vida de não portadores de deficiência, não demora muito vão permitir que os deficientes voltem a se locomover livremente.

Bodyweight Support Assist

O primeiro chama-se Bodyweight Support Assist, algo como Assistente para suporte do peso do corpo. Seu principal papel é melhorar a sensação física daqueles que precisam ficar horas em pé. Não por acaso, está sendo testado nas fábricas da Honda, no Japão.

 

Stride Management Assist

O segundo, Stride Management Assist, ou Gerenciamento do caminhar assistido, busca facilitar o movimento dos passos e é dirigido principalmente para pessoas idosas e seus claudicantes caminhares.

As duas invenções são resultados de mais de 20 anos de pesquisa. Quando, em 1986, a Honda apresentou o primeiro protótipo de seus robôs, o E0, o projeto era pesado, caro e desengonçado.

Vinte e três anos depois, a experiência que desenvolveu o Asimo começa a dar frutos para a empresa japonesa. Lógico que o robô ainda não tem sentimentos, como o comercial americano abaixo nos faz pensar. Mas as soluções desenvolvidas para que ele funcione começam a se aplicadas na melhoria da vida diária.

Não tenho dúvidas de que o próximo passo será reunir as soluções encontradas pela Honda com aquelas apresentadas pela Hitachi no já distante ano de 2007. Para quem não se lembra, a empresa japonesa de tecnologia demonstrou como os impulsos elétricos poderiam ser utilizados para que portadores de deficiência física pudessem comandar controles remotos de TV’s. Juntando um mais um temos três.

Realmente, a vida vem se tornando cada vez mais fácil.


Gol para a TAM: Espelho, espelho meu…

13/04/2009

Nos anos 90, existiam duas principais companhias aéreas, uma Azul Escura e outra Azul Clara. Surgiu uma companhia Vermelha, que matou a Azul Clara. Tempo passa e a briga entre a Azul Escura e a Vermelha vai aumentando até que a Vermelha vira líder. 

Varig e Vasp

Começo dos anos 2000 surge uma nova companhia aérea, a Laranja. (ou poderíamos chamar de Vermelha Clara?). Vem cheia de novidades, entre as quais ser a primeira companhia low fare do país. Nessa época, a Azul Escura começa a dar sinais de cansaço. Sobra o mercado para a Vermelha Escura e a Vermelha Clara (ou seria Laranja?), uma direcionada para executivos e a outra para novos consumidores.

Gol e Tam 

2007 – A Vermelho Clara compra o espólio da Azul Escura e passa a disputar realmente a liderança com a Vermelho Escura. Só que o vírus da Azul Escura ataca a Vermelho Clara, que adota sorrindo seu programa de milhagem. E, pasmem! Deixa de servir barrinhas de cerais e inclui sanduíches nos seus vôos, como a Vermelho Escura.

2009 – Se existiam diferenças entre as duas principais companhias aéreas no Brasil, agora não existem mais. A Gol acaba de implantar um sistema de tarifas que lembra o sistema da TAM. São quatro tarifas ao invés de cinco, mas que partem da promocional e vão até a livre. E que dão de 30 a 150% de milhas, contra 20 a 150% da concorrente. Depois da “variguização” de seus serviços, agora é a vez da “Taminização” dos preços. Low fare? Isso é passado…

Parece a Revolução dos Bichos, de George Orwell. Para quem não conhece, é uma história onde os bichos expulsam os donos da fazenda e tornam-se os novos proprietários. No começo, todos dizem que nunca querem ser como os humanos e continuam morando nos currais. Aí, os porcos resolvem ser os líderes e viver na casa da fazenda. Assim, cada dia passam a se parecer mais com quem criticavam.

Azul Linhas Aéreas

15 de dezembro de 2008 – Surge uma nova empresa aérea no Brasil, a Azul. Começa a voar saindo de Campinas e prometendo preços mais baixos e concorrências nos ares…