Em propaganda, Ivete já é 50% garantia de sucesso

21/02/2012

Na minha última postagem, recebi um comentário que me deixou pensativo. A Paula escreveu que o comercial do Dionísio nos teclados, aquele em que ele chama o reforço da Cláudia Leite, é o uó! Ou em bom mineirês, dificil de aguentar.

Fiquei pensando o quanto eu gosto de ver a Ivete Sangalo cantando no comercial da Nova Schin e acabei concordando com a Paula. Em termos de propaganda, é fácil saber quem é a rainha do Axé. Ivete Sangalo consegue, com seu jeito baiano de ser, se destacar.

Analisando os comerciais de diferentes agências em que as duas aparecem neste começo de ano, algumas características me chamaram a atenção. Diferentemente do comercial da Cláudia Leite, Ivete nunca é um personagem secundário. Ela é sempre a heroína da estória. Por mais que eu tente, não consigo acreditar que Ivete não deixe de exigir ter sua imagem dominante e clara na tela.

image

Outra característica que me agrada e que não deve ser uma coincidência é como a música é utilizada. Ivete sempre aparece cantando um jingle. Novamente diferente da loira baiana, ela nunca canta um de seus sucessos. Pode dar mais trabalho ter que ir para o estúdio gravar uma nova música, mas evita o caminho simplista de expor excessivamente um de seus sucessos.

Ivete hoje é cantora, apresentadora, atriz. E com ela em qualquer comercial, 50% do sucesso já está garantido.

Ivete para Nova Schin, da Leo Burnett
Feijão Maravilha, da DPZ, para Giraffas
Linha da Ivete para Avon, comrcial da 141 SohoSquare
Anúncios

Autoshow 8: Dirigir e cantar, é só começar

27/11/2009

Os peixinhos apareciam na tela e a música disparava “Let’s fool around and find a new emotion…” (Vamos passear e encontrar uma nova emoção). Pronto. De um dia para o outro, por causa da melodia e de um peixe que chorava, o Palio Weekend caiu no gosto do povo. As crianças queriam ir às concessionárias conhecê-lo de perto. Assim, uma música ajudou a desbancar a Parati da liderança de mercado.

Não tem como negar. Num país musical como o Brasil, a publicidade automotiva sempre flertou com sons, conhecidos ou inéditos, para dar um empurrãozinho nas vendas. E o que não faltam são exemplos. Qualquer que seja a montadora, dá para fazer CD’s de sucesso somente com os hits utilizados nos comerciais.

Os mais antigos se lembram. Para a Chevrolet, Zé Rodrix criou um dos mais famosos sucessos brasileiros. Cantava “É no silêncio de um Chevrolet que meu coração bate mais alto” e fazia aumentar as vendas do Chevette e Opala naqueles anos. Mais recentemente, a Nissan ousou ao lançar o Sentra com um falso grupo cantando “Não tem cara de tiozão, mas acelerou meu coração”. Em ambos os exemplos, as músicas foram especialmente criadas para as montadoras, formato conhecido como jingle. Mas mesmo as músicas de cantores famosos emolduram os lançamentos automotivos.

Os Beatles ajudaram a Chevrolet, autorizando o uso de “With a little help from my friends” (Com uma pequena ajuda de meus amigos) num comercial da marca. E voltaram às paradas de sucesso com “Ob-la-di, ob-la-da” no lançamento do Fiat 500. Madonna foi ouvida no comercial do Dobló, cantando “Like a virgin” (Como uma virgem). E os funcionários da Ford, usando a canção dos The Turtles, declararam estar “Happy together” (Felizes juntos) com o novo Focus. Cantando em português, os Engenheiros do Hawaii explicaram que comprar seminovos na rede Chevrolet trazia “Segurança”. Arnaldo Antunes ajudou a Livina X-Gear a dizer que agora tudo pode, com a música “Pequeno cidadão”.

Até mesmo o varejo é motivo para se cantar as vantagens das marcas. Fiat já usou Bate Coração, sucesso da Elba Ramalho. Mas nada que se assemelhe a todos os sucessos usados anos a fio pela GM, agora representado por Jorge Bem Jor e seu “Eu sou o Sol”. O mesmo Bem Jor que havia cantado para a Volkswagen “Umbabarauma, homem gol”. Montadora, inclusive, que usa hoje o comediante Marcelo Adnet para criar jingles regionais para o varejo de sua rede.

Poderia ficar enumerando mais e mais comerciais musicados, tanta é a diversidade de modelos embalados por cantores nacionais e internacionais. Porém, o mais importante é perceber a existência de uma forte ligação entre sons e automóveis. Ela vem de uma característica comum aos dois, nos fazem viver momentos de prazer. E talvez seja isso que os publicitários busquem: transferir o prazer das músicas para os modelos que as embalam. Do meu lado aqui, fico cantando “bi-bi, quero buzinar meu calhambeque”, enquanto dirijo o meu carro. Bye-Bye.


Zé Rodrix e a morte do jingle

25/05/2009

Todo mundo já sabe e leu a respeito da morte do Zé Rodrix. Elogios vieram de toda parte. E merecidos. Mas com a morte dele, me assaltou uma outra dúvida: Será que morreu o último dos fazedores de jingles memoráveis?

David Ogilvy, fundador da Ogilvy & Mather, em certa época de sua carreira foi contra os jingles. Ele dizia que as pessoas não achariam o anunciante sério. Mas ele mesmo mudou de idéia à medida em que o tempo passou e o uso de jingles tornou-se uma forte ferramenta para diversos produtos, tais como refrigerantes.

Podemos até dizer que nos anos 70 houve uma guerra de jingles entre Coca-Cola e Pepsi, da qual Zé Rodrix participou, criando o jingle abaixo:

Talvez o movimento hippie tenha amplificado essa guerra, mas as pessoas se agarravam na frente da TV para ouvirem e verem os comerciais cantados, como o que lançou o “Real Thing”:

Numa época em que não existia o Youtube, ao invés do viral vir até o consumidor, o consumidor se plantava na frente da telinha esperando o momento de ver e cantar novamente com sua marca favorita.

Por que será que a publicidade atual não usa mais o jingle em grande escala? Talvez a propaganda tenha perdido a inocência dos anos 70 e o consumidor seja agora mais experiente, necessitando uma comunicação mais instigante? Não sei. Mas que desde a morte do Zé Rodrix eu estou com uma vontade danada de beber Pepsi, ah, isso eu tô!