Não adianta lutar: o futuro é do e-book

18/03/2012

Sou, e sempre fui, um devorador de palavras. Leio até bula de remédio. E como um leitor viciado, sou um rato de livrarias e bibliotecas. Meu vício já me levou a separar as página de livros muito pesados, para facilitar a viagem com somente aquelas que conseguiria ler em alguns dias longe de casa.

No ano passado, numa viagem à San Diego, Califórnia, assustei por não encontrar nenhuma livraria da Barnes & Nobles durante os meus passeios. Queria saciar minha sede por livros, mas a sensação que tive é que o americano havia parado de comprá-los. Lógico que a explicação está em outo lugar: o mercado de e-books vem evoluindo a passos largos no mercado americano. A Amazon, que vende livros em papel há mais de 15 anos, passou a partir do ano passado a vender mais livros no formato eletrônico, numa proporção de 105 e-books para cada 100 livros de papel. E isso em quatro anos da introdução desse novo formato.

Agora, começo a entender essa revolução. Até como resultado do meu vício, já havia tentado anteriormente baixar e ler livros eletrônicos, tendo desistido em ambas as vezes. Na primeira, baixei um e-book no meu desktop para descobrir o quão inconveniente é ter um livro que você não consegue levar para lugar nenhum. Na segunda, utilizei meu antigo Blackberry, mas nao existe coisa mais chata do que ter que ficar mudando de página de minuto em minuto.

Desta vez, resolvi baixar um livro no meu iPad. Estava lendo o “Blackberry de Hamlet”, de Willian Powers, que havia comprado por R$ 34,90. Muito interessante, o livro avalia o impacto de novas tecnologias ao longo da história humana e como as pessoas se adaptam a elas. A medida que estava lendo, me passou pela cabeça baixar uma cópia eletrônica no tablet. Assim, o livro físico poderia continuar em casa e a versão ebook estaria comigo sempre ao alcance da mão, diminuindo o peso de carregar o livro e o iPad para todos os lugares.

Minha primeira surpresa: paguei U$9,90 na Amazon. Menos de R$ 18,00. Ou 51% do preço do livro impresso! Como um bom mineiro, essa é uma razão forte para pensar em migrar para o novo mundo. Lógico que considerando que um iPad custa no Brasil próximo de dois mil reais, teria que comprar mais de 120 livros para pagar o custo do Tablet. O que iria demorar muito tempo.

Mas as outras facilidades também encantam. Como peguei uma versão em inglês, tenho a necessidade de traduzir certas palavras, de tempos e tempos. E não é que é só colocar o dedo na mesma que o sentido dela aparece no rodapé? Nada mais simples. Menos um livro, o dicionário, para viajar comigo para todos os lados. Isso sem contar que, em certas passagens, o livro vem indicando o número de leitores que marcaram o trecho como importante. É como fazer uma leitura coletiva.

Estou adorando a experiência. E tenho a certeza que irá virar um hábito. Bom para a Amazon, a Barnes & Nobles, a  Iba. Péssimo para as livrarias físicas que visito semanalmente. Hoje olho para meu iPad pensando no futuro formato dos livros, com vídeos, comentários do autor e outros leitores, e outras inovações que o tablet ligado à internet trará a esse mundo de leitura que evoluiu muito poucos nos últimos 500 anos.

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A primeira verdadeira revista digital

03/12/2009

Os americanos já estão se mexendo. Com o crescimento das vendas dos e-readers, tais como o Kindle da Amazon, os editores de revistas e jornais americanos estão começando a desenhar o futuro possível para suas edições. Lógico que as versões de papel não irão sumir de um dia para outro, mas a sua migração para o meio eletrônico já é uma realidade na cabeça de muitos.

A Sports Ilustrated, revista da Time Inc., dona da CNN, da revista Time e outras tantas empresas de comunicação, demonstra um primeiro pensamento de como as revistas eletrônicas serão quando estiverem disponíveis para acesso em Tablets e e-readers. Arrisco dizer que essa versão ainda está bem tímida, pois é quase uma transposição de um meio para o outro. Mas é assim que começa. Até porque o leitor não irá passar do meio físico para o digital se não se sentir confortável com isso, se não se sentir “em casa”.

Para efeito de comparação, veja também a página da internet da revista. Fica mais claro ainda que eles estão buscando diferentes sensações frente à tela de um computador. Falta descobrir qual será a solução final que os consumidores irão preferir.


Mídia Social. No futuro você será alvo fácil para as marcas II

20/08/2009

Ontem postei um vídeo sobre mídia social que terminou exatamente fazendo esta afirmação: No futuro você não vai encontrar as marcas. Elas é que virão atrás de você. O fundamento para tal é o nível de informações que estamos cada vez mais inserindo nas redes sociais. A gente se revela, sem medo, para as redes. Com isso facilitamos o reconhecimento de características comuns que permitiram às empresas direcionarem seus produtos aos mais prováveis compradores.

Essa realidade já está entre nós hoje em dia. De uma forma simples, mas já demonstrando que esse será o futuro, sites de vendas por internet já vem acumulando dados sobre nossas preferências e indicando novas compras, ou compras casadas, que nos possam interessar e elevar o valor total da venda.

No Brasil, você pode ver esse tipo de iniciativa no www.livrariacultura.com.br. Digitando um livro, automaticamente ele mostra, abaixo do título escolhido, outros títulos relacionados, sob o nome de ”Quem comprou este item também comprou”

Pedido Cultura

Melhor ainda é a Amazon. Uso meu exemplo, pois ele mistura meu interesse por marketing e branding com meu gosto por ficção científica. Dois assuntos longe de serem relacionados.

Faço meu login e imediatamente o site começa a me bombardear com exemplos de livros e dvd’s especialmente produzidos para mim. Desde as “recomendações do dia para você”, ao que as pessoas que pesquisaram um dos assuntos do meu interesse andaram olhando recentemente.

Pedido Amazon 

E tal qual os comerciais de telemarketing, eles apresentam mais e mais argumentos para eu comprar com eles: todas as novidades nas minhas áreas de interesse, o que outros compradores com gostos parecidos andaram comprando e até o que vem vindo por aí.

Pedido Amazon II

Não preciso mais pesquisar novos títulos de livros e dvd’s. Eles se preocupam em fazer isso e me indicar aquilo que, com certeza, irei adorar. Para esses produtos, o consumidor já é encontrado e pode, passivamente, esperar a informação.

Se livrarias virtuais tem pouco informações sobre nossos gostos, imagine quem possa por a mão nas informações que acumulamos nos sites de relacionamento. O futuro, realmente, vai ser diferente.


Internet Gratuita chega às 777 lojas da Barnes & Noble

28/07/2009

Devo confessar: eu amo a Barnes & Noble. A maior livraria do mundo, com 777 lojas espalhadas por todos os Estados Unidos, tem uma relação com livros que demonstra o que uma estratégia pode fazer por uma empresa. Se hoje a gente conta com as megalivrarias em nosso território, podemos afirmar que muitas das idéias foram geradas pelos aficcionados daquela rede.

Uma frase dita pelo seu Chief Executive, Steve Riggio, ilustra bem como eles encaram cada um de seus pontos de vendas: “Nós sempre consideramos nossas lojas como espaços quase públicos e pontos de encontro públicos.” É esse pensamento que os levou a anunciar, hoje, acesso gratuito à internet sem fio em todas as suas lojas.

barnes-and-noble

Lógico que eles não são samaritanos. Existe um propósito de aumentar o fluxo e as vendas. Como ele mesmo afirma, “Cremos que gerar fluxo somente pode nos trazer bons resultados. Mais pessoas significa mais consumidores interagindo com nossos vendedores, mais oportunidades para nossos vendedores de servi-los, mais tempo para os consumidores descobrirem e explorarem o que nós temos em nossas prateleiras”. Uma aula de marketing em poucas palavras.

Isso demonstra que eles estão antenados para as mudanças que estão por vir na relação consumidor / leitura. O grupo, que viu a Amazon tomar a dianteira na comercialização de livros via internet, parece ter acordado e colocou no ar, de uma só vez na semana passada, uma livraria de livros eletrônicos, os famosos e-book, com mais de duas vezes livros que sua concorrente. São 700 mil títulos contras os 300 mil possíveis de serem comprados através do Kindle.

Eu já baixei minha versão do e-reader da BN.com. Até porque 500 mil dos títulos serão oferecidos gratuitamente e essa é uma oferta que nenhum mineiro consegue resistir. Resumindo, na minha mente, a batalha por representar esse novo mundo de leituras virtuais já está ganho. E a vencedora é a Barnes & Noble.


Convergência analógico e digital. O novo livro já chegou

16/04/2009

As verdadeiras revoluções na forma como nos relacionamos com o mundo ocorrem silenciosamente. Você precisa fazer um esforço para lembrar como o mundo era antes do computador, do celular, da internet. Essas tecnologias começam lentamente e, quando você percebe, é impossível não estar completamente envolvido com elas. 

Confesso que venho acompanhando atentamente a evolução do livro digital, o e-book, e o lançamento dos diversos equipamentos de leitura eletrônica, como o Kindle, da Amazon, ou o Sony Reader, da Sony. Já brinquei com um e fiquei maravilhado. Como bom mineiro, não comprei, esperando o momento em que existirão títulos suficientes em português para justificar o investimento. Esse, inclusive, é o principal motivo pelo qual os e-readers em geral ainda não decolaram: falta a criação do iPhone dos livros eletrônicos, aquele equipamento que revolucione para sempre o jeito de se ler livros no mundo.

Porém me chamou a atenção a evolução do livro de papel num mundo digital e como certos editores e livreiros vem fazendo uma transição entre os dois mundos de uma forma muito suave e silenciosa. Se formos pensar bem, o problema dos livros é similar ao que os jornais vem enfrentando. As notícias nos diários chegam às bancas já velhas, pois não dá para competir com a atualização imediata do meio digital. Podemos dizer o mesmo de livros técnicos, onde certos assuntos são rapidamente deixados para trás.

Livro A Lógica do Mercado de Ações

Qualquer livro que tenha sido publicado sobre mercado de ações em agosto do ano passado já está completamente defasado. Quem seria doido o suficiente para investir de acordo com suas dicas, considerando-se a crise ocorrida em outubro de 2008?

Para sanar esse problema, algumas editoras começam a atualizar os assuntos abordados em páginas especiais na internet. E o que andei vendo esses dias me provou que existe sempre espaço para inovação. As editoras de livros de línguas estão fundindo os dois formatos em um só. Quase não existe uma separação entre o livro físico e o eletrônico. Você é enviado de um meio para o outro constantemente. Lógico que para esse tipo de publicação era uma evolução esperada e que resolve alguns problemas logísticos. Se no passado a substituição de fitas cassete por CD’s e DVD’s já havia facilitado a distribuição, a internet contribuiu mais ainda para facilitar a venda desse tipo de leitura.  E abriu um novo canal para a comercialização dos produtos. Para se ter um sabor das possibilidades que esses livreiros estão gerando, visite o BusinessEnglishPod.

Agora, se você acredita que isso só se aplica a livros técnicos, não fique assim tão certo. Imagine o que poderia fazer a Rede Globo se decidisse utilizar toda sua estrutura a favor de maiores e melhores vendas. Você poderia comprar o livro A Casa das Sete Mulheres e ter acesso a um espaço exclusivo na globo.com para ver trechos especiais da mini-série produzida para a televisão. Isso para ficar no mais básico, pois as possibilidades são imensas. 

Volto ao tema, brevemente, com mais exemplos. Talvez quando o livro eletrônico chegar de verdade já não conheçamos mais a separação entre o físico e o digital.


Cartões de relacionamento: Outras experiências

12/03/2009

Impctado pela Drogaraia, fiquei pensando nos demais cartões de fidelidade que possuo e cheguei a uma triste conclusão: Estamos engatinhando nesse setor aqui no Brasil. Muito se fala no atual baixo custo da informatização, que permitiria dar um salto em direção à relação one to one. Muito se fala, pouco se faz.

Tam e Smiles 

Fidelidade / Smiles – Não consigo vê-los como cartões de relacionamento, mas somente como promoções das duas empresas aéreas. O termo cartão de milhagem reflete melhor o que são – cartões de acúmulo de bônus para a troca por viagens grátis. Somente recentemente os sites das suas respectivas empresas, Tam e Gol/Varig, passaram a completar os formulários de compra por internet automaticamente. Mas nunca se lembram de detalhes simples como a preferência de assento, por exemplo. Ainda falta muito para surpreenderem realmente seus clientes.

Mais Cultura

Mais Cultura – É o programa de relacionamento da Livraria Cultura. Não tem um sistema tão desenvolvido quanto o da Amazon, que envia e-mails regularmente com dicas de livro nas minhas áreas de preferência, além de indicar o que as pessoas com gostos parecidos com o meu estão comprando, mas está caminhando nessa direção. Os e-mails enviados pela Livraria ficam cada vez mais e mais direcionados, mas a relação ainda é distante.

Pao de açucar mais

Pão de Açucar Mais – Deve gerar um banco de dados enorme para a rede de supermercados Pão de Açucar, ajudando a entender melhor seus consumidores. Sinceramente, nunca percebi para que serve. Devo ter milhares de pontos, mas não tenho vontade de trocá-los. Já vi promoções para clientes Mais, apesar de não me sentir parte de um grupo diferenciado. Não dá para negar que descobrir um produto com preço mais baixo para os possuidores do cartão é um prazer especial. Só falta a verdadeira relação, fazerem-me sentir que sou querido.

Se a gente parar para pensar, verá que esse tipo de cartão tem se proliferado rapidamente. A pergunta, sempre, é: No que isso ajuda a nossa empresa a reter mais o cliente e aumentar seus gastos conosco? Sem uma resposta séria para o ponto, um programa de relacionamento nada mais é do que gasto desnecessário e mais uma amolação para o consumidor.