Nova Iorque descobre o Brasil

27/05/2012

Tenho visitado Nova York com uma certa regularidade. Não tão frequente para não perceber as mudanças, nem tão pouco que me sinta visitando uma cidade diferente cada vez que passo por lá.

Mês passado passei alguns dias de férias e fiquei surpreendido com uma mudança que afeta diretamente o Brasil. Parece que a invasão dos brasileiros, com o real supervalorizado e ávidos por comprar tudo que encontram pela frente, finalmente chamou a atenção do comércio novaiorquino.

Em um ano, desde minha última passagem por lá, ficou impossível não perceber os sinais de crescimento da presença da língua portuguesa no dia a dia. As lojas, que já tinham sempre algum latinoamericano que fingia falar português, assumiram que a língua é importante. Anúncio de cursos de português brasileiro, folhetos nos museus em português e os pequenos comerciantes usando o “bom dia” no lugar do “buenos dias” passaram a ser corriqueiros.

Dos R$1,60, a cotação do dólar pulou para R$2,00 nos últimos dias. Mas o fluxo de viajantes não parece estar diminuindo, pois os vôos da TAM para os Estados Unidos continuam saindo lotados. E os americanos, ótimos comerciantes, já mudaram a postura com relação aos vistos, antes um prêmio para quem passasse pelo filtro exigente da Embaixada, hoje um simples processo burocrático. 

A crise é sentida em cada esquina de Nova York. Pequenos detalhes, como uma bandeira rasgada aqui, uma luz queimada ali, um equipamento quebrado acolá. E nesse ponto temos que aprender com os americanos. Eles são humildes o suficiente para ver nos turistas brasileiros uma das soluções para os tempos turbulentos pelos quais estão passando. A gente ainda chega lá…na postura, não na crise!


Morreu Chico. Do humor e das propagandas

25/03/2012

Inteligente, criativo e inovador até nas propagandas…


Não adianta lutar: o futuro é do e-book

18/03/2012

Sou, e sempre fui, um devorador de palavras. Leio até bula de remédio. E como um leitor viciado, sou um rato de livrarias e bibliotecas. Meu vício já me levou a separar as página de livros muito pesados, para facilitar a viagem com somente aquelas que conseguiria ler em alguns dias longe de casa.

No ano passado, numa viagem à San Diego, Califórnia, assustei por não encontrar nenhuma livraria da Barnes & Nobles durante os meus passeios. Queria saciar minha sede por livros, mas a sensação que tive é que o americano havia parado de comprá-los. Lógico que a explicação está em outo lugar: o mercado de e-books vem evoluindo a passos largos no mercado americano. A Amazon, que vende livros em papel há mais de 15 anos, passou a partir do ano passado a vender mais livros no formato eletrônico, numa proporção de 105 e-books para cada 100 livros de papel. E isso em quatro anos da introdução desse novo formato.

Agora, começo a entender essa revolução. Até como resultado do meu vício, já havia tentado anteriormente baixar e ler livros eletrônicos, tendo desistido em ambas as vezes. Na primeira, baixei um e-book no meu desktop para descobrir o quão inconveniente é ter um livro que você não consegue levar para lugar nenhum. Na segunda, utilizei meu antigo Blackberry, mas nao existe coisa mais chata do que ter que ficar mudando de página de minuto em minuto.

Desta vez, resolvi baixar um livro no meu iPad. Estava lendo o “Blackberry de Hamlet”, de Willian Powers, que havia comprado por R$ 34,90. Muito interessante, o livro avalia o impacto de novas tecnologias ao longo da história humana e como as pessoas se adaptam a elas. A medida que estava lendo, me passou pela cabeça baixar uma cópia eletrônica no tablet. Assim, o livro físico poderia continuar em casa e a versão ebook estaria comigo sempre ao alcance da mão, diminuindo o peso de carregar o livro e o iPad para todos os lugares.

Minha primeira surpresa: paguei U$9,90 na Amazon. Menos de R$ 18,00. Ou 51% do preço do livro impresso! Como um bom mineiro, essa é uma razão forte para pensar em migrar para o novo mundo. Lógico que considerando que um iPad custa no Brasil próximo de dois mil reais, teria que comprar mais de 120 livros para pagar o custo do Tablet. O que iria demorar muito tempo.

Mas as outras facilidades também encantam. Como peguei uma versão em inglês, tenho a necessidade de traduzir certas palavras, de tempos e tempos. E não é que é só colocar o dedo na mesma que o sentido dela aparece no rodapé? Nada mais simples. Menos um livro, o dicionário, para viajar comigo para todos os lados. Isso sem contar que, em certas passagens, o livro vem indicando o número de leitores que marcaram o trecho como importante. É como fazer uma leitura coletiva.

Estou adorando a experiência. E tenho a certeza que irá virar um hábito. Bom para a Amazon, a Barnes & Nobles, a  Iba. Péssimo para as livrarias físicas que visito semanalmente. Hoje olho para meu iPad pensando no futuro formato dos livros, com vídeos, comentários do autor e outros leitores, e outras inovações que o tablet ligado à internet trará a esse mundo de leitura que evoluiu muito poucos nos últimos 500 anos.


Do you speak english?

27/02/2012

Vendo a transmissão do Oscar, um dos comerciais me chamou a atenção. Como é difícil anunciar curso de inglês!

Comercial de inglês sempre é: ou fala de como é importante aprender enquanto é criança (categoria que está deixando de existir aos poucos), ou o inglês vai te levar longe na carreira (cada vez mais em voga) ou o inglês é uma necessidade do dia a dia das pessoas. Interessantemente, CCAA vem trazendo uma outra linha – como se safar dos riscos da vida, falando uma outra língua.

Gosto da consistência da Wise Up em usar o Santoro em todas as suas comunicações e seu tom mais institucional. Mas o humor da CCAA e do Fisk também são muito interessantes.

Diferentemente, as tentativas de ser mais racional resultam em comerciais menos impactantes, na minha opinião. E vendo os comerciais abaixo, você verá como uma situação – entrevista de emprego – tem como resultado dois comercias completamente diferentes para a mesma CNA.

Seis comerciais para cinco cursos diferentes. Fechando a lista, a Wizard com sua caneta Wizpen.

E você? Vendo só os comerciais, em qual dos cursos se matricularia?


Em propaganda, Ivete já é 50% garantia de sucesso

21/02/2012

Na minha última postagem, recebi um comentário que me deixou pensativo. A Paula escreveu que o comercial do Dionísio nos teclados, aquele em que ele chama o reforço da Cláudia Leite, é o uó! Ou em bom mineirês, dificil de aguentar.

Fiquei pensando o quanto eu gosto de ver a Ivete Sangalo cantando no comercial da Nova Schin e acabei concordando com a Paula. Em termos de propaganda, é fácil saber quem é a rainha do Axé. Ivete Sangalo consegue, com seu jeito baiano de ser, se destacar.

Analisando os comerciais de diferentes agências em que as duas aparecem neste começo de ano, algumas características me chamaram a atenção. Diferentemente do comercial da Cláudia Leite, Ivete nunca é um personagem secundário. Ela é sempre a heroína da estória. Por mais que eu tente, não consigo acreditar que Ivete não deixe de exigir ter sua imagem dominante e clara na tela.

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Outra característica que me agrada e que não deve ser uma coincidência é como a música é utilizada. Ivete sempre aparece cantando um jingle. Novamente diferente da loira baiana, ela nunca canta um de seus sucessos. Pode dar mais trabalho ter que ir para o estúdio gravar uma nova música, mas evita o caminho simplista de expor excessivamente um de seus sucessos.

Ivete hoje é cantora, apresentadora, atriz. E com ela em qualquer comercial, 50% do sucesso já está garantido.

Ivete para Nova Schin, da Leo Burnett
Feijão Maravilha, da DPZ, para Giraffas
Linha da Ivete para Avon, comrcial da 141 SohoSquare

Propaganda quando é boa é boa mesmo XIII

14/02/2012

Fora o natal, carnaval é uma das épocas mais ingratas para se fazer propaganda. O tema é o mesmo, todas as empresas tentando se destacar num ritmo de repeteco. “Será que já não vi isso antes?” Essa é uma dúvida simples de se ter neste período.

Surpresa foi ver na TV a nova campanha da Brahma Chopp. Como ninguém teve a idéia de transformar a palavra Sapucaí em verbo antes? Para mim, isso é brilhante. Depois, música, celebridade, promoção, camarote, tudo vira mero detalhe.

Neste carnaval vou sapucar. Em São Paulo. Mas vou.


Na guerra dos guaranás, Kuat perde com os garçons

06/02/2012

Guaraná Kuat

Eu sou fã confesso do sabor do Guaraná Kuat. Desde que a Coca-Cola substituiu o Taí pela nova fórmula e nome, eu abandonei minha total fidelidade ao Antarctica.

Mas tem uma coisa que me impressiona sempre que eu vou a um restaurante ou bar. Sempre que pergunto “que refrigerante você tem?”, a resposta é Coca-Cola e Guaraná. Eu sempre preciso completar: “Qual guaraná?” e ouço sempre “Antarctica”. É como se o único e verdadeiro guaraná fosse o Antarctica.

Isso é resultado da competência da Ambev em continuar a história do guaraná mais antigo do Brasil. Eles administram muito bem a imagem e distribuição da marca e são lideres por merecimento.

Kuat tem tentado de tudo, sem sucesso, para abocanhar um naco das vendas do concorrente. Não faltam campanhas de impacto, como a com Marcelo Adnet. Mas seu principal inimigo não é a Ambev, mas a postura dos diversos garçons por todo o Brasil.

Guaraná Antarctica

Agora, percebo uma mudança de comportamento que reforça ainda mais essa minha visão de que a guerra já está perdida. A oferta de Kuat em restaurantes e self services em São Paulo parece ter aumentado. Deve ser um esforço comercial da Coca-Cola para aumentar a presença nos estabelecimentos.

Mas seu principal inimigo permanece atento. O que ouço aogra, todas as vezes que peço guaraná é: “é Kuat, ok?”, com um tom de pedido de desculpas por não ter guaraná de verdade.